Preceitos do temperamento de Jesus

Por Thais Rocholi

Na Páscoa de 2021, o Príncipe de Galles gravou o poema de Gerard Manley Hopkins, onde o mesmo foi professor, dando muitos louvores a Deus pela “marca de todas as coisas” que enchem o mundo com uma variedade gloriosa. É claro que ele inclui as personalidades humanas em sua lista. As pessoas têm dons, inclinações, interesses e abordagens de vida extremamente variados.

É muito comum ouvirmos comentários sobre as qualidades das pessoas: “Posso ver a alegria radiante nessa pessoa!” “Essa paz que ele transmite é inacreditável!” “Meu Deus! Como você consegue desenvolver assuntos complexos tão rapidamente?” E da mesma forma que vemos toda essa natureza geográfica tão diferenciada de norte a sul, de leste a oeste, as culturas que formam as civilizações, precisamos valorizar o essencial.

Embora cada pessoa seja única, vamos razoavelmente fazer um resumo dos temperamentos que formam a personalidade de Jesus.

A teoria dos temperamentos é sim muito antiga. Foi enunciada por Hipócrates, o grego considerado pai da medicina. Hipócrates caracterizou os temperamentos como: sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático, a partir dos “humores” do corpo.

Não é raro que muitas pessoas atribuem à alguns desses temperamentos uma característica depreciativa, como se tivessem necessariamente conotações negativas. Conheci pessoas que dizem odiar seu próprio temperamento ou já desejaram que fosse diferente.

Uma maneira de conhecermos melhor a mente de Deus é buscando maior apreço por como Ele nos projetou com toda a sua soberania, nos equipando para funcionar de forma gloriosa à seu próprio modo em Seu mundo. A autoavaliação que fizermos daquilo que recebemos de herança, nos ajuda a adquirir maior autoconsciência e a compreensão do impacto do temperamento em nossas vidas.

Na vida de Jesus, vemos todos os quatro temperamentos, sobretudo, perfeitamente santificados.

Para começar vemos em Jesus o temperamento melancólico, daí em diante, Ele era “um homem de dores que conhecia profundamente o sofrimento”, mas nós o vemos santificado e livre de toda mancha de pecado, tanto que era calmo e ponderado, cuja transmissão da paz se manifestava no amor de Deus, conforme vemos em Marcos 14,  Marcos 15:34  e João 11:34-36.

Ao pensarmos no temperamento fleumático, percebemos que não há lacunas na constituição humana, nem na vida terrena de Cristo. É comum vermos a calma, a paz e o silêncio centrado na vida dele sem o risco de tédio, como descrito em Lucas 5:16. As características de excelências do temperamento sanguíneo podem ser encontradas em João 15:7, João 14:15 e João 6:40, quando expressava sua prontidão e sua confiança.

E assim, além do mais, para revelar energicamente aquilo que se contrapunha a Verdade sobressaía-se o temperamento colérico santificado. Em Mateus 23, vemos que os hipócritas enganadores do povo são chamados de “sepulcros caiados”. Mais tarde, Ele chama os escribas e fariseus de “hipócritas”. Parece pouco? Sua vida demonstra toda a firmeza, energia e decisão desse temperamento.

O segredo dos quatro temperamentos que formam a mente de Cristo é que há provisão para a santificação em sua obra redentora. Na cruz, Ele ofereceu sua vida, sacrifício perfeito e suficiente, oblação e satisfação pelos pecados da humanidade. Ele ali experimentou a morte não por um temperamento só, ou por uma classe, ou por uma nação, mas para cada ser humano, seja cada indivíduo melancólico, sanguíneo, fleumático ou colérico. E como Ele morreu por todos, também vive para interceder por todos os que se entregam a Ele e desejam ter um caráter transformado.

Para o colérico, Ele prescreve, por Seu exemplo e em Suas palavras, o espírito de amor, etc. Para o sanguíneo, Ele diz em Lucas 14: 28-30 que, se desejar construir uma torre, deve sentar-se primeiro e calcular o custo, etc. Para o fleumático, Ele diz em Lucas 9:23-26: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo”, etc. Para o melancólico em Mateus 28:20, Hebreus 13:5, Apocalipse 3:20, que anseia por simpatia, Ele diz: “Veja, estou aqui com você“, temendo as dificuldades e perigos de uma vida terrena, Ele diz: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”(João 16:33).

Os nossos sentidos sujeitos ao agir do Espírito Santo em nossas vidas

Por Thais Rocholi

Nesse tempo de pandemia podemos tirar muitas lições sobre compaixão e misericórdia para com o outro, e por ser Deus Criador de todo o universo, distribui muitos dons aos seus filhos. Se você acredita não ter dons, saiba que você pode buscar essa realidade para sua vida.

Em I Coríntios 12:4 -7 podemos descobrir que:  “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando um fim proveitoso.” (I Coríntios 12.4-7)

Há vários tipos de dons, e, por isso, se manifesta de diferentes formas e situações. Mesmo quando somos atribuídos a realizar os diversos serviços, é o mesmo Espírito que age em tudo e em todos. Quanto a isso, a intenção é sempre pela busca do bem. Para que todos, no Corpo de Cristo, recebam das dádivas divinas. Os dons que Deus nos atribui refletem sua importância para que sejamos usados com a intenção de abençoar e sermos abençoados mutuamente.

Ser sábio nem sempre diz respeito a ser inteligente, culto ou cheio de conhecimento, ao contrário disso, ser sábio é uma simples capacidade de  observar e intuir o bem, o belo e o verdadeiro. Isso só acontece quando temos a referência do Senhor Absoluto. Se você crê, não pode andar na contra mão achando que tudo na vida é muito relativo. É o dom de “saber escolher” as melhores coisas pela ótica divina, o que significa buscar a direção do bem,  da verdade e da beleza, ainda que não tenhamos muito conhecimento das coisas no sentido intelectual.

Quando lemos o Sermão da Montanha discursado por Jesus, Ele nos ensina as bem-aventuranças. Porém, como pessoas desejosas por aprender mais sobre Deus, nos voltemos para a misericórdia: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7). Numa época como essa que vemos a todo instante pessoas na rua sofrendo por falta de recursos, muitos de nós ficamos seguros em nosso comodismo e indiferença, porque muitas vezes não temos falta de nada, embora nos falte o essencial, que é esse dom que só Deus pode nos dar. E não apenas nisso, mas quando deixamos de olhar para uma pessoa que tem a alma ferida por traumas que a fez ser reativa com qualquer estímulo positivo que tentamos lhe transmitir. Tampouco existe o “momento certo” de exercitar a misericórdia, mesmo quando somos ofendidos.

Misericórdia é o que expressamos quando somos guiados por Deus a sermos compassivos em nossas atitudes, palavras e ações. É mais do que sentir compaixão por alguém, é o amor ordenado por Deus. A misericórdia é o desejo pelo bem nas respostas às necessidades imediatas dos outros para aliviar o sofrimento, a solidão e a tristeza.

Uma lição dada para nós de misericórdia está em Mateus 20:29-34: “Saindo eles de Jericó, uma grande multidão o acompanhava. E eis que dois cegos, assentados à beira do caminho, tendo ouvido que Jesus passava, clamaram: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós! Mas a multidão os repreendia para que se calassem; eles, porém, gritavam cada vez mais: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de nós! Então, parando Jesus, chamou-os e perguntou: Que quereis que eu vos faça? Responderam: Senhor, que se nos abram os olhos. Condoído, Jesus tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista e o foram seguindo.” (Mateus 20:29-34).  Podemos perceber que os homens cegos associaram a misericórdia não com um sentimento, mas com uma ação. Os seus problemas físicos eram que não podiam enxergar. No entanto, eles sabiam que o ato de misericórdia surgia como uma intervenção de Cristo para restaurar sua visão. Ter misericórdia é mais que ter um sentimento, pois nos move a uma ação.

Por outro lado, as noções de visão e tato são essenciais ao olharmos para os invisíveis desse mundo, que possamos fazer como Jesus que se condoeu e tocou os olhos dos cegos para que eles fossem curados, a questão desses sentidos em particular destaca a transmissão de uma graça e um poder sobrenatural.

É muito mais do que um ato sensorial como tal. A concepção que podemos ter quanto aos sentidos relacionado ao mundo físico significa transmitir um sentido espiritual. Isso significa que devemos buscar em Cristo o domínio para os nossos sentidos e ao mesmo tempo O glorificar em alguns deles, como no caso da visão e do tato. Todas as vezes que precisamos transmiti-los: os sentidos devem ser domesticados e espiritualizados.

Não fiquemos indiferentes à dor e ao sofrimento, relativizando tudo e todos, isso só  anestesia os nossos sentimentos. Os sentidos, dependendo do caso, nos faz assumir ou privilegiar um vínculo como um juízo de valor e preferência. As vezes o sentido do tato está relacionado ao da visão, que pode expressar nossa dor mediante ao sofrimento do outro. A intermediação vem  com as aspirações da alma em direção ao divino invisível.

Como pecadores espiritualmente mortos e cegos, não somos melhores do que esses dois homens cegos que estão em Mateus 20. Assim como dependiam totalmente da compaixão de Cristo para que a sua visão fosse restaurada, dependemos também do Senhor para restaurar o sentido da nossa visão: “Mostra-nos, SENHOR, a tua misericórdia e concede-nos a tua salvação” (Salmo 85:7).

A ordem do nosso amor

Por Thais Rocholi

Algumas coisas da Bíblia podem ser ensinadas com grande vantagem para quem deseja conhecer mais sobre Deus, e, assim, desvendar os segredos contidos na mensagem de Fé. Hoje irei trazer, se Deus me permitir, enquanto me preparo nas pesquisas para todos aqueles que me acompanham, algumas reflexões sobre o assunto amor.

Mas antes de entrar nessa reflexão, sei que devo enfrentar as objeções daqueles que provavelmente se colocam contra o meu trabalho. Prefiro dizer que prometo ser mais conciliadora. Por outro lado, se mesmo assim, ainda houver manifestação do contra, é porque não compreendeu a mensagem! Não acho que é perda de tempo ou que essa iniciativa não tem propósito nenhum, inclusive se você chegou até aqui, é porque foi Deus que lhe moveu!

Amar é um sentimento muito difícil de ser descrito. Muitas vezes, vamos procurar o amor na arte, na poesia, na literatura, mas quando vamos para as Escrituras, vemos que o amor é um vínculo de devoção e serviço. O amor passa a ser uma procura por um bem que nos realize de forma plena, até ao nível de nos satisfazer completamente. O que você daria para se sentir realizado pela posse de um bem?

Vamos supor que esse bem seja um segredo literário ou um tesouro raro.  Vemos todos os dias pessoas fazendo insanidades para ter a posse de um bem, pois amar faz parte da nossa estrutura humana. Amar é um sentimento natural. O fato não é amar, mas o que amar! Muitas vezes sofremos por amar errado, o que acontece é que temos uma desordem nos amores. É por esse motivo que somos tão confusos, agitados e ansiosos.

 A ordem de Deus é não amar o mundo e nem as coisas do mundo.  Qualquer forma de fuga é oposta a vontade de Deus.

Mas o que é o mundo? As coisas de Deus não são do mundo?

E o versículo ?: “Porque Deus amou ao mundo (cosmos) de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3:16).

No grego, o termo cosmos de mundo se refere à beleza da criação de Deus do tempo presente e a era vindoura, aquilo que se perpetua no mistério do espaço e do tempo. Um novo mundo e uma nova realidade. Dentro de outro viés, pode possuir uma conotação negativa, como as influências ao nosso redor ou o que se choca com a construção de um ecossistema que se rebela contra o Criador.

A admoestação de não amar o mundo ou as coisas do mundo é dirigida aos cristãos pelo Apóstolo João na Palavra de Deus: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo (cosmos). Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que está no mundo, os desejos da carne e os desejos dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa com todos os seus desejos, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre”(1 João 2: 15–17 ).

Porque Jesus deu Sua vida livremente por nós, quando Ele tinha todo poder de retomá-la novamente, ele não fugiu do propósito de Deus. O que é mais gratificante, cuja potência anima a nossa alma passa pela reflexão da cruz, quando Ele sofreu e passou pelas piores coisas considerando aqueles que ainda não tinham acreditado e até zombavam dEle!

E quando nós  esperamos que Ele venha do céu como o Juiz dos vivos e dos mortos, isso pode causar grande terror naqueles que têm sido descuidados. No entanto, não é motivo para desespero! Quando nos damos conta, sabemos que esse é o tempo certo para nos preparar com mais cuidado e zelo observando as estações e épocas, sem ficar com medo das más condutas do passado.

E o que podemos imaginar ou confessar com a nossa boca? A recompensa que Ele nos dará é a liberdade de Seu Espírito, que nas adversidades desta vida, confiamos e amamos por causa dAquele que ainda não vemos. Se não encontrarmos Deus em nosso cotidiano, jamais O encontraremos. O apóstolo Paulo escreveu: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31. Por isso que nosso tempo precisa ser voltado para os assuntos que nos parecem mais corriqueiros, atribuindo um sentido nobre para o Reino de Deus, quando incluímos Jesus em nosso dia a dia. Desse modo, Ele distribui os dons para a edificação de Sua Igreja, e assim a Igreja usa com deleite.

Que nós possamos pensar em todas as nossas atividades diárias pesando na balança os problemas do meio em que vivemos, sendo coerentes a refletir com humildade a apreensão da vontade de Deus nas pequenas e grandes coisas da vida.

A revolução da misericórdia: Deus pode abençoar o pecado?

Por Thais Rocholi

Estou bem consciente da minha natureza humana falível e sujeita a cometer pecados. Todavia, tem assuntos que jamais poderia deixar de me posicionar. Muitas religiões que se dizem cristãs tem falado sobre o homossexualismo e uma nova reforma, defendendo o direito ao amor mais humanizado. Mediante ao que acontece, porém, muitos passam a apoiar a ideia da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Nos discursos, vemos os próprios cristãos sendo acusados de incitarem medo, preconceito e ódio contra quem não é heterossexual, tal que o resultado gerado pelo “preconceito” têm levado muitos ao suicídio.

Esse problema do suicídio não deixa, muitos de nós, cristãos insensíveis a esses debates e às questões que eles representam. Porque ao reconhecermos a miséria humana da nossa natureza, quando abrimos nossas vidas para que Deus conduza nossas ações, a opinião pública que antes tínhamos não tem mais valor. A ciência afirma que algumas pessoas nascem com mais hormônios do sexo oposto que outras. Estou de acordo, mas nada justifica o que Deus chama de infame. Só podemos chegar a Deus, com mudança de atitude. Também não estou querendo dar lição de moral em ninguém, cada pessoa é livre para fazer suas escolhas. No entanto, meu papel como cristã é passar para frente a mensagem bíblica.

“e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.

Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos dos seus corações, para a degradação dos seus corpos entre si.

Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém.

Por causa disso Deus os entregou a paixões infames. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza.

Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão.

Além do mais, visto que desprezaram o conhecimento de Deus, ele os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam.” Romanos 1:23-28

Encontramos na Bíblia que homossexualismo é um pecado como tantos outros que Deus condena. Não me entenda mal, não sou eu que estou acusando a prática sexual de pessoas de mesmo sexo como pecado. Posso lhe afirmar, que não tenho opinião pública e nem opinião de lei de homens, essa é a opinião de Deus. Mas apesar de haver leis que regem tudo em nossa sociedade, Jesus se colocou em oposição durante toda a sua vida quando esteve nos encontros com certas elites religiosas de seu tempo, exortando seus seguidores a terem cuidado com o “fermento dos fariseus”.

“Indo os discípulos para o outro lado do mar, esqueceram-se de levar pão.  Disse-lhes Jesus: Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.

 E eles discutiam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão.

Percebendo a discussão, Jesus lhes perguntou: Homens de pequena fé, por que vocês estão discutindo entre si sobre não terem pão? Ainda não compreendem? Não se lembram dos cinco pães para os cinco mil e de quantos cestos vocês recolheram? Nem dos sete pães para os quatro mil e de quantos cestos recolheram? Como é que vocês não entendem que não era de pão que eu estava lhes falando? Tomem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.  Então entenderam que não estava lhes dizendo que tomassem cuidado com o fermento de pão, mas com o ensino dos fariseus e dos saduceus.” Mateus 16:5-12

Não quero ser mal interpretada, não estou julgando que todo homossexual vai para o inferno, por favor! Não é o fato de ser homossexual que a pessoa está condenada a viver no inferno, mas a prática do pecado, seja ele qual for, é o que nos afasta de Deus. A apostasia está em algumas igrejas.

Que tipo de reforma estão querendo fazer? Mudar a doutrina da Igreja? Seria isso uma forma de exercitar a misericórdia?

Esses líderes de púlpito com palavras vazias e piedosas querem a transformação pela “misericórdia”, criando um clima moral de fraternidade humana e respeito mútuo pelo valor de cada ser humano, que não representa mais do que recursos financeiros para seus púlpitos. Também não estou sendo dura, mas não sou hipócrita para aceitar o engano.

Quando vemos a mentalidade de hoje de algumas igrejas que fazem o “evangelismo sem cristianismo” podemos lembrar dos escribas e fariseus da época de Jesus.

“Então, falou Jesus à multidão e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés, estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam. Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem sobre os ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los. E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens, pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes, e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens: — Rabi, Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.  Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo.  Porém o maior dentre vós será vosso servo.  E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.

Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o Reino dos céus; Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o Reino dos céus; e nem vós entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando.” Mateus 23:1-12

Como viver com nossas crianças sendo alvos de mensagens que incitam a pedofilia, seja em propagandas de empresas, cinema, músicas, apostilas que ensinam sexualidade nas escolas e até ameaças com frases “nós iremos ganhar suas crianças”? Somos afrontados diariamente com essa atmosfera corrosiva e perniciosa. Respeitar Deus, se sentir parte da Igreja (sentire cum ecclesia) e ser fiel ao Evangelho, cujas promessas de Deus nos revela um “futuro pleno” e com “Esperança” encontram-se em constante intimidação.

Não tem como desfilar com a mesma bandeira que carregam as pessoas que se opõem a qualquer ordenação de mulheres.

Para muitas pessoas, a mensagem da fé é ultrapassada, logo, encontram sua “identidade cristã” nas guerras culturais.

Vejo como algo importante para os dias atuais que tocam a vida de todo cristão sincero que aspira a Verdade Genuína como está na Bíblia, é se nutrir com o estudo bíblico e a comunhão com a Igreja, pois a Palavra diz que muitos ouviriam os chamados de Deus nos “sinais dos últimos tempos” que viriam, mas poucos seguiriam.

“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. […] As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. […] Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí-lhe ao encontro! Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. […] E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” Mateus 25:1-10.

A identidade cristã não está enraizada no silêncio, mas no mover do Espírito que age na história para conduzir os discípulos de Jesus no mergulhar da plenitude da Palavra da Verdade.

E se você que chegou aqui tem atração por pessoas do mesmo sexo, não importa o seu passado, Cristo lhe acolhe e lhe liberta da culpa quando você se arrepende e entrega seu viver e todo o seu proceder nas mãos dEle. O justo vive pela Fé, significa dizer que toda a velha natureza é dissipada pela ação do Espírito Santo em sua vida. Nunca é tarde para um recomeço! A hora de Deus é sempre o agora!

A cabra do Sr. Séguin

Tradução: Thais Rocholi

Para o Sr. Pierre Gringoire, poeta lírico em Paris.

 “Você será sempre o mesmo, meu pobre Gregório!

Como? ”Ou“ O quê!

Nós lhe oferecemos uma vaga de colunista de um bom jornal de Paris, e você simplesmente recusa… Olhe para sua vida, menino infeliz! Olhe para essa blusa furada, essas calças rasgadas, esse rosto magro que chora de fome. É aqui que você conseguiu impulsionar a paixão por belas rimas! Isso é o que dez anos de serviço leal lhe serviram nas páginas do Sr. Apollo… Afinal de contas, você não tem vergonha?

Então seja um cronista, seu idiota! Torne-se um colunista! Vão te colocar no pedestal, você terá seu lugar em Brébant, e pode aparecer nos dias de estreia com uma nova pena na sua barra… Não? Você não quer? … Você finge que permanece livre como desejar até o fim…”

Você verá o que ganhamos por querer viver livremente. Para refletir trago o clássico conto francês sobre uma cabra, “A cabra do Sr. Seguin”, o famoso personagem dos contos de Alphonse Daudet.

Sr. Séguin nunca foi totalmente feliz com suas cabras. Ele perdeu todas da mesma forma: Uma bela manhã, elas quebraram a corda, indo para a montanha, e lá no topo o lobo as comia. Nem as carícias de seu mestre, nem o medo do lobo, nada as impedia de ir para a montanha. Era, ao que parece, cabras independentes, querendo a qualquer preço a liberdade.

O bravo Sr. Séguin, que não conseguia entender nada sobre o caráter de seus animais, ficou consternado. Ele disse:

– É o fim! Cabras ficam entediadas comigo. Eu não vou ficar com nenhuma delas.

No entanto, ele não desanimou, e, depois de perder seis cabras da mesma forma, ele comprou a sétima. Só que desta vez ele teve o cuidado de pegá-la muito jovem, para que ela se acostumasse a ficar em casa.

Ah! Gregório, que linda é a pequena cabra do Sr. Séguin! Que olhos suaves, seu cavanhaque de sub-oficial, seus cascos pretos e brilhantes, seus chifres listrados e seus longos cabelos brancos que lhe cobriam como uma túnica! Foi quase tão charmoso quanto o filho da Esmeralda, você lembra, Gregório? – e então, dócil, acariciante, deixando pegar o leite sem se mexer, sem colocar pé na tigela. Um pouco de amor de bode…

O Sr. Séguin fechava a cerca atrás de sua casa rodeado por espinheiros. É aqui que ele estabeleceu o limite. Ele a amarrou a uma estaca, no lugar mais bonito de prado, tomando cuidado para deixar que ela tivesse muita corda, e de vez em quando ele verificava se ela estava bem. A cabra ficou muito feliz e pastou na grama com tão bom coração que Sr. Séguin ficava encantado. 

– Finalmente, pensou o pobre homem, aqui estão algumas daquelas que não ficarão entediadas em casa!

 Sr. Séguin estava errado, sua cabra estava entediada. Um dia, ela disse a si mesmo enquanto olhava para a Montanha:

– Como devemos estar bem lá em cima! Que prazer de brincar nas colinas verdes, sem aquele maldito cordão que te roça o pescoço! … É bom para o burro ou para o boi pastar em área fechada! … Cabras, elas precisam de espaço.

Daquele momento em diante, a grama do cercado parecia sem graça e sem sabor. O tédio veio para ela. Ela está perdendo peso e seu leite tornou-se escasso. Foi muito triste ver ela arrastando a sua corda o dia inteiro, sua cabeça virava para o lado de montanha, com narina aberta, fazendo Mê! … infelizmente.

O Sr. Séguin notou que sua cabra não estava nada bem, mas ele não sabia o que que era … Uma manhã, quando ele estava terminando ordenhava, a cabra se virou e disse em seu dialeto:

Ouça, Sr. Séguin, estou com saudades!

Em sua casa eu enlouqueço, deixe-me ir para a montanha.

– Ah! meu Deus! … Ela também! Gritou o senhor Séguin atordoado, e de repente ele deixou cair a sua tigela; então, sentou-se na grama ao lado de sua cabra:

– Como, Blanquette, você quer me deixar!

 E Blanquette respondeu:

– Sim, Sr. Séguin.

– É pasto que lhe falta aqui?

– Oh ! Não ! Sr. Séguin.

– A corda que te amarra está curta? Você quer que eu alongue a corda?

– Não vale a pena, senhor Séguin.

– Então, o que você precisa? O que é aquilo? O que você quer?

– Eu quero ir para a montanha, senhor Séguin.

– Mas, cabra mulher infeliz, você não sabe que existe o lobo na montanha … o que você vai fazer quando ele aparecer? …

– Vou acertá-lo com meus chifres, Sr. Séguin.

– O lobo não liga para seus chifres. Ele comeu as cabras que tinham chifres maiores que os seus…Você sabe muito bem, a coitadinha Renaude quem esteve aqui no ano passado? Uma cabra mais velha, forte e mesquinha como uma cabra. Ela lutou com o lobo o tempo todo durante a noite … mas, pela manhã, o lobo a comeu.

– Ai dela! Coitado do Renaude! … Isso não vai acontecer comigo, senhor Séguin, deixa-me entrar na montanha.

– Divina bondade! … disse M. Séguin

 Mas o que eles estão fazendo com minhas cabras?

Outra que o lobo vai comer … bem, não … vou salvá-lo apesar de você lamentar, sua velhaca! E para que você não quebre sua corda, eu vou lhe trancar no estábulo e você ficará lá para sempre.

Em seguida, o Sr. Séguin levou a cabra para um estábulo muito escuro, em seguida, ele fechou a porta dando duas voltas. Infelizmente ele tinha esquecido a janela e assim que ele virou as costas, a pequena foi embora … Você está rindo, Gregório?

Claro! Eu acredito!

-Boa. Você está na festa da cabra, você é do partido da cabra, bom senhor Séguin …

-Vamos ver se você rirá mais.

Quando a cabra branca chegou na montanha, foi um deleite geral.

As velhas árvores nunca tinham visto nada tão lindo. As árvores a receberam como uma pequena Rainha. Os castanheiros curvaram-se em terra para acariciá-la com as pontas de seus galhos. A vassoura dourada abriu-se para a sua passagem, e cheirava bem, desde que pudesse. A montanha inteira comemorou.

Você acha, Gregório que se nossa cabra fosse feliz, sem mais corda, sem mais estaca … com nenhum impedimento que lhe tolhesse  de brincar, de pastar no caminho … Lá era onde ela encontrava grama!

Até lhe ultrapassava os chifres, meu caro!… E que erva! Saborosa, fina, recortada, feita de mil plantas… Era muito diferente do capim do cercado. E as flores, então!… Grandes campanários azuis, digitalis de púrpura, com longos cálices, toda uma floresta de flores silvestres, transbordando sucos inebriantes!…

A cabra branca meio bêbada chafurdou lá com as pernas para cima e rolou ao longo dos diques, misturado com as folhas caído e castanhas … Então, de repente ela se endireitou em suas patas.

Então saltava! Aqui está ela, cabeça para frente, através os arbustos, às vezes em um pico, às vezes no fundo de uma ravina, por cima, por baixo, por todos os lugares … parecia que havia dez cabras do Sr. Séguin na montanha.

Ela era corajosa, Blanquette não tinha medo de nada.

Ela estava cruzando com um grande salto nas torrentes que espirraram sobre ele poeira úmida e escória de espuma.

Então, toda pingando, ela ia se esticar em alguma rocha plana e se secava no sol… Uma vez, avançando na beira de um bandeja, uma flor de laburno até os dentes, ela viu abaixo, muito abaixo na planície, a casa do Sr. Séguin com um cercado atrás.

Isso a fez rir até chorar. – Que lugar pequeno! Ela diz.

-Como eu poderia caber lá?

Pobrezinha! Viu-se num lugar tão alto, que acreditou pelo menos ser tão grande quanto o mundo …

Naquela hora, foi um bom dia para a cabra do Sr. Séguin. Perto do meio do dia, correndo à direita e à esquerda, ela caiu no meio de um bando de servos que despedaçavam, para comer, uma vinha selvagem. Nossa pequena corredora, de roupa branca, causou sensação. Deram-lhe o melhor lugar na vinha, e todos esses senhores foram muito galantes…

 -Parece mesmo, isso deve permanecer entre nós, Gregório, – que um jovem servo com um casaco preto, teve a sorte de agradar Blanquette. Os dois amantes se desviaram entre a floresta uma ou duas horas, e se você quiser sabe o que eles disseram um ao outro, vá perguntar à fontes falantes que funcionam invisivelmente numa espuma.

De repente, o vento fica mais forte. A montanha ficou roxa. Era noite.

 – Já! Disse a cabrinha e ela parou muito surpresa.

Abaixo, os campos foram submersos em névoa. O cercado do Sr. Séguin desapareceu no nevoeiro, e com relação à casinha, não podíamos ver mais do que o telhado com um pouco de fumaça. Ela ouviu os sinos de um rebanho que se recolhia, e sentia a alma muito triste … Viu um corujão, que estava voltando para o ninho, roçando suas asas para ter passagem. Ela se encolheu…

Então foi um uivo no Montanha:

– Uau! Uau!

Ela pensou no lobo… o dia todo a louca não tinha pensado nisso … Ao mesmo tempo, um som de um shofar soou longe no vale. Era este bom Sr. Séguin que tentou pela última vez.

– Uau! Nossa! … disse o lobo.

 – Volte ! Volte! … tocou o Sr. Séguin o shofar .

Blanquette queria voltar; mas em si mesmo relembrando a estaca, a corda, a cerca do cercado, pensou que agora ela não poderia viver dessa forma, e que era melhor ficar.

O som do shofar não soou mais … A cabra ouviu um som de folhagens.

Ela se virou e viu nas sombras dois orelhas curtas, retas, com dois olhos brilhantes …

Era o lobo.

Enorme, imóvel, sentado em seu trem atrás ele estava lá olhando para a cabrinha branca, a fim de prová-la com antecedência. Como ele sabia muito bem que iria comê-la, o lobo não teve muita pressa. Só quando ela se virou e riu violentamente.

– Ah! ha! A cabrinha do Sr. Séguin! E ele passou sua grande língua vermelha pelos lábios para se aproximar da isca.

Blanquette se sentiu perdida … Por um momento, relembrando a história do velho Renaude, que lutou a noite toda para ser comida pela manhã. Ela disse a si mesma que valeria a pena talvez seja melhor se deixar comer diante de tudo isso. Depois, então, tendo mudado de ideia, caiu em guarda, a cabeça baixa e o chifre para a frente, como corajosa cabra do Sr. Séguin que era. Não que ela tivesse qualquer esperança de matar o lobo, cabras não matam lobos, – mas só para ver se ela conseguia segurar também muito mais tempo que a Renaude …

Então o monstro deu um passo à frente, e os mais pequenos chifres entraram em dança. Ah! a criança corajosa, como ela estava indo com um bom coração!

Mais de dez vezes, eu nunca minto não, Gregório, ela forçou o lobo a recuar para recuperar o fôlego. Durante essas tréguas, num minuto, o ganancioso escolheu com pressa ainda um ramo de sua querida grama. Então ela voltou a lutar com a boca cheia … durou a noite toda. De vez em quando a cabra do Sr. Séguin olhava para as estrelas dançando no céu claro e ela disse a si mesma:

– Oh ! Enquanto eu aguentar até o amanhecer …

Blanquette redobrou seus golpes de chifre que começaram a dançar nos dentes do lobo…

Um brilho pálido apareceu no horizonte … um canto rouco de galo veio de uma pequena propriedade.

– Finalmente ! Disse a pobre cabra, que não estava esperando mais do que um dia para morrer. E ela deitou-se no chão em seu belo pêlo branco todo manchado de sangue …

Então o lobo se jogou na cabrinha e a comeu.

Adeus, Gregório!

MORAL DA HISTÓRIA: Esta história relata a relação de muitas pessoas com o nosso pastor Jesus Cristo. Sempre há o desejo de fugir do aprisco (igreja) para a montanha (o mundo) que oferece muitos atrativos. O que em geral acontece, é que na falta de sabedoria, somos pegos de surpresa e, as consequências quanto à isso, é nos tornarmos iscas de lobos (pecados) vorazes. Mas quando não desprezamos a experiência de quem já foi e viu como a montanha realmente é, não nos enveredamos pelos caminhos tortuosos, mas sossegamos em nosso canto.

Pornografia e feminismo exortações sob o olhar bíblico

Por Thais Rocholi

“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação;

Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra;

Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus.

Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos.

Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.” 1 Tessalonicenses 4:3-7

Nas literaturas feministas a pornografia é usada com o propósito de desconstrução do modelo idealizado por Deus de família formada por um homem e uma mulher: as mulheres nesse tipo de livro amam encontros fugazes sem culpa, que falam sobre sexualidade de uma forma quase obsessiva, expressando em suas falas e escritas descontrole e histeria sexual. Os livros feministas privilegiam sempre o mesmo universo: o da violência, da prostituição e da pornografia.

As autoras feministas usam a pornografia contra aquilo que viveram, criando cenários de apresentações onde, geralmente, vemos mulheres exercendo o comportamento dos defeitos masculinos. Além disso, os encontros sexuais das “heroínas” quase sempre terminam com a morte do homem.

Em relação ao tema desta semana e verificando depoimentos de algumas feministas, a maioria delas relatam  seu testemunho pornográfico sadomasoquista em que o prazer físico acompanha a sua dor. A partir de alguns depoimentos, há o discurso de denúncia de ódio de jovens que sofreram terrivelmente com pais abusivos que as agrediam e as faziam vítimas de incesto.

Se você perguntar sobre o discurso de mulheres que sofreram incesto teve alguma consideração, a resposta que se tem é que os ouvintes, na maioria das vezes, interagem de forma violenta e provocativa às denúncias. Muitas se sentem insultadas, mas não se indignam, o estado de histeria aumenta, se tornando mais sexualmente agressivas.

Frente ao que acontece, a amargura toma o lugar da honra, não há troca sentimental entre homem e mulher, não há palavras, não há humanidade porque os frutos nascidos de uma relação mesmo que casual são rejeitados no ventre e doados em orfanatos, não há ternura e a continuação da vida humana é interrompida num aborto. Logo, o que se deseja é apenas o clímax instantâneo, categorizando a sexualidade que se encaixa num molde pré-fabricado de quem é tradicional.

No livro de Êxodo 21:22-25 encontramos a mesma pena para alguém que comete um homicídio e para quem causa a morte de um bebê no útero. Isto significa dizer que para Deus, um bebê no útero é  um ser humano tanto quanto um adulto. Para o cristão, o aborto não é um assunto que uma mulher deva ter o direito de escolher. É uma questão de vida ou morte de um ser humano feito à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27; 9:6).

A amargura é um sentimento sufocante que vem da tristeza e do rancor contínuo. A Bíblia nos exorta a nos livrar de toda a amargura. “Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade” Efésios 4:31

O Senhor está presente nos momentos mais difíceis da vida de cada um de nós. “Só ele cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas (…) O Senhor eleva os humildes, e abate os ímpios até à terra.” Salmo 147:3. O Senhor é bom em toda adversidade e você poderá ver o seu perdão quando se arrepende de seus pecados, pois no eco do vazio, Ele preenche e consola o choro da noite.

Ser uma mulher  “sóbria” e autocontrolada é o que a Bíblia nos ensina a ser, e eu sei que você quer saber mais. Na verdade, quase não presto atenção a estes versículos sobre sobriedade. No entanto, se não me engano, a palavra “sóbrio” nunca se refere a estar bêbado, mas se refere ao caráter de alguém.

“(…)para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do Diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade.” 2 Timóteo 2:26

Você já conheceu  alguma mulher que tinha controle sobre o seu espírito? Uma mulher que não tem medo, não é turbulenta, nem grosseira e nem excessivamente emocional, mas, pelo contrário, seu caráter exibe um ar de serenidade, fazendo até mesmo aqueles ao seu redor se sentirem calmos?

“Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra integridade, sobriedade,  linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se confunda, não tendo nenhum mal que dizer de nós.” Tito 2: 7-8

Isso é o que eu imagino que significa estar sóbrio, de acordo com as Escrituras. Na verdade, os significados gregos envolviam essas duas definições:

“Para exercer o autocontrole e para conter as próprias paixões.”

Sobriedade está relacionada ao comedimento, parcimônia, moderação, naturalidade, ausência de complicação e simplicidade.

Paulo fez uma solene exortação aos crentes da igreja na cidade de Tessalônica: “Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios” I Tessalonicesses 5:6

Quem dorme não vigia. Quem vigia não dorme.

A sobriedade diz respeito ao equilíbrio horizontal. A justiça corresponde ao equilíbrio vertical e para ficar mais claro, não há nada melhor do que viver sob o prumo de Deus, o Justo Juiz e, enquanto se é cristão, a piedade aos opressores é o somatório dos dois elementos anteriores.

Compilando todas as diferentes definições de mulher virtuosa das Escrituras, obtemos continuamente a imagem de uma mulher calma e controlada. A mulher de Provérbios 31 está “vestida de dignidade” e “abre a boca com sabedoria.”

O único consolo para os dias atuais

Por Thais Rocholi

Independentemente de onde estivermos ou em qual celebração estivermos, os cristãos que confessam  o Credo dos Apóstolos estão fazendo sua profissão de fé. O Credo dos Apóstolos, também conhecido como ‘Credo’ em latim, ou como ‘Símbolo dos Apóstolos’, é uma oração que contém os principais elementos do Cristianismo: a crença na Santíssima Trindade, a comunhão dos santos e a ressurreição do corpo. Sendo esta uma maneira de explorar as raízes do cristianismo como uma declaração daquilo que acreditamos. Um dia Jesus estava falando com Seus discípulos e as Escrituras registraram o que aconteceu em seguida: “Disse-lhes: ‘Mas quem vocês dizem que eu sou?’ Simão Pedro respondeu e disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.’ ”(Mateus 15: 15-16). Não existe nada mais simples do que isso. E vamos a oração:

Creio em Deus, Pai todo-poderoso,

Criador do céu e da terra.

E em Jesus Cristo,

seu Filho unigênito, nosso Senhor,

o qual foi concebido pelo Espírito Santo,

nasceu da virgem Maria,

padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,

foi crucificado, morto e sepultado,

desceu ao mundo dos mortos,

ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu,

e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso,

de onde virá para julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo,

na santa Igreja cristã, a comunhão dos santos,

na remissão dos pecados,

na ressurreição do corpo e na vida eterna.

Amém.

Creio na ressurreição do corpo e na vida eterna!

Se temos a vida eterna, nós cremos no reino dos céus que descerá sobre a terra. Cremos também no reino daqueles que continuarão vivendo após a ressurreição onde não haverá mais morte. Essa é a nossa esperança e a nossa alegria para o chamado da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. O consolo diante das mortes que vemos todos os dias é que a história terminará com a consumação do corpo, cuja esperança é a Vida Eterna. Nosso olhar diante da morte é a do plano previamente formulado por Deus.

As vezes pensamos que o mau que acontece tem a capacidade de alterar os planos de Deus, mas não é assim que Deus faz. Muito pelo contrário, quando o mau faz o pior, ele descobre que cumpriu o bem que Deus desejou. Basta ler a história de José e de Ester (Gênesis 37, Ester). No meio do caminho há muitos pedregulhos, mas Deus nos guia naquilo que Ele planejou.

A dor e o sofrimento quase sempre nos tiram a capacidade de perceber a razão dos fatos. Pode ser terrível passar por tribulação. Eu, certamente, sinto desconforto, aperto e incômodo. Mas não devemos buscar conveniência para o nosso lado, pois quando temos muita conveniência, a tendência é abandonar a fé. Embora muitos de nós fiquemos perplexos por não sabermos o porquê das provações, não devemos invalidá-las. Por experiência própria, a provação é genuína e tem sempre um propósito. Às vezes, eu não sei a razão de ser provada, mas Deus sabe e isso já deve bastar.

José e Ester não faziam ideia do por que de tanto sofrimento. A razão é que eles estavam sendo provados e com o tempo saberiam a resposta. A palavra de Deus, a nossa experiência com Ele e o futuro só pode nos confirmar que tudo o que o cristão passa em sua caminhada têm propósitos definidos. Nada acontece como fruto do acaso. Não estamos na superfície da História. E Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam, dos que foram chamados segundo o Seu propósito (Romanos 8.28).  Todos nós precisamos passar por tribulação, pois as provações nela têm o propósito de produzir fé e caráter aprovado! A fé produz a perseverança e o sofrimento que muitas vezes age como um verdadeiro instrumento da graça serve para tirar o orgulho do soberbo e a autosuficiência do arrogante.

A única maneira de não nos sentirmos preocupados, ou totalmente perturbados por notícias como guerras, fomes, doenças, terremotos é a nossa atitude de fé inabalável naquele cujo nome é Fiel! Devemos confiar que Deus é bom, que Ele nos ama e que nós, Seus filhos, estamos na palma de Sua mão, como Ele disse em João 10: 27-29. Que possamos nos apegar no Salmo 61: 1-5, 62: 6-8. “Quando o meu coração estiver sobrecarregado: conduza-me à rocha que é mais alta do que eu … Ele é a minha rocha e a minha salvação”. Quando acreditamos, não há espaço para o medo!

Para finalizar, você sabe onde passará a eternidade?

Uma esperança para quem já entregou a vida para Jesus:

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.

E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.

E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.

E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.

E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” Apocalipse 20:11-15

O cuidado com a apostasia

Por Thais Oliveira

Somos advertidos pela Bíblia a tomar cuidado com pessoas como Ário (250-336 d.C.), um sacerdote cristão de Alexandria, no Egito, que foi treinado em Antioquia no início do século IV. Por volta de 318 d. C., Ário levantou algumas acusações sobre o Bispo Alexandre de Alexandria de chancelar o sabelianismo, cujo ensinamento falso afirmava que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não passavam de meros papéis ou maneiras assumidas por Deus em cada momento. Ário tinha como determinação enfatizar a unidade de Deus. Mas não se deteve a ir tão longe em seu ensino sobre a natureza de Deus. Ário negou a Trindade quando apresentou o que parecia ser uma diferença inconsequente entre o Pai e o Filho.

Seu argumento apontava que Jesus não era homoousios, ou “da mesma essência” que o Pai, ao contrário disso, foi bastante homoiousios “de essência semelhante”. Nesse sentido, apenas uma letra grega – o iota (ι) – separava os dois. Como um grande engano, Ário descreveu sua posição da seguinte maneira: “O Pai existia antes do Filho. Houve um tempo em que o Filho não existia. Isso significa que o Filho foi criado pelo pai. Portanto, embora o Filho fosse a mais elevada de todas as criaturas, ele não era da essência de Deus.”

Ário era ardiloso e fazia de tudo para atrair o povo, e como a música atrai muitas pessoas, ele compôs algumas que ensinavam sua teologia para todos aqueles que se juntavam passassem a ouvir. Nem todos, porém desconfiavam da sua real natureza, pois se mostrava cativante, ascético, com uma  posição que o reverenciava como pregador conseguindo contribuições para sua causa.

A palavra apostasia vem do grego com o significado técnico relacionado à “revolta política”. Mas nas Escrituras, apostasia significa “abandono ou deserção da fé de forma consciente”. O comportamento apóstata caracteriza uma rejeição definitiva à verdade da Palavra de Deus.

Por ser uma palavra grega, originalmente, “apostasia” não é encontrada no Antigo Testamento hebraico. No entanto, essa palavra é utilizada diversas vezes para traduzir algumas expressões do hebraico que denotam um estado de rebelião contra Deus, abandono de seus mandamentos e profanação do sagrado (Josué 22:22; Deuteronômio 13:13; Sofonias 1:4-6; 2 Crônicas 29:19).

No Novo Testamento encontramos a palavra apostasia originalmente apenas duas vezes em Atos 21:21 e 2 Tessalonicenses 2:3. Observando sua referência no livro de Atos, o apóstolo Paulo foi acusado maliciosamente de incitar os judeus a se desviarem da Lei de Moisés. Já a “apostasia” mencionada por Paulo à igreja em Tessalônica indica que afetou todas as áreas da vida. É verdade, a palavra é tão forte e enfática que sugere um colapso completo da moral, da ética e da espiritualidade.

O apóstolo Paulo escreveu: “Esse dia [o dia do Senhor] não virá, a menos que venha primeiro a apostasia” (2 Tessalonicenses 2: 3). O contexto desta passagem evidencia que “a apostasia” se refere não somente ao abandono da crença intelectual, mas também ao abandono da moral e do amor que deve caracterizar todos os cristãos de todos os tempos.

O autor de Hebreus nos dá uma ilustração para acentuar a advertência sobre a apostasia: “Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.”( Hebreus 6: 7-8 ).

A obra do Espírito Santo através do evangelho de Cristo é o trabalho para que cada vaso do coração produza frutos. Espinhos e  ervas daninhas são uma lembrança da maldição de Deus no solo em Gênesis 3:18. Bênção e maldição são temas que circundam o Antigo Testamento para que consultemos o livro de Hebreus. Aqueles que receberam as promessas de Deus e creram em Deus são considerados heróis de fé (Hebreus 11) Outros receberam as promessas, mas morreram em desobediência e descrença (Hebreus 3: 16-19). Em Deuteronômio 28:30, Deus deu grandes promessas de bênçãos e terríveis advertências de maldições. Os cristãos, de acordo com o livro de Hebreus, têm promessas ainda maiores e advertências muito mais severas. Tenhamos cuidado com a apostasia!

As Provações da nossa Fé

Por Thais Oliveira

Estamos passando por um tempo difícil, divergência entre o desejo de melhorar o mundo e a soberania de Deus em nos mostrar que muitos de nós não somos desse mundo. Estamos vivendo uma pandemia mundial jamais experimentada em toda a história, para o bem ou para o mal tiramos lições variadas disso tudo. A decisão é de cada um de nós!

As provações podem vir diretamente de Deus, como no episódio de Gênesis 22 no sacrifício do filho de Abraão para Deus, ou também pode vir de Satanás por permissão de Deus, como vemos em Jó (Jó 1:6-12) ou pode vir de alguém próximo, como na história de José, quando seus irmãos lhe intentaram o mal (Gênesis 37:14-28; 50:20) ou de várias circunstâncias que ocorrem todos os dias nas cenas que vemos nas ruas, nos hospitais, na religião, na política, na sociedade, na economia. Apesar de todos esses males, temos uma certeza absoluta, Deus está acompanhando o decurso de tudo o que acontece para nos edificar.

A Palavra de Deus não precisa ser discutida, mas obedecida quando em Tiago 1:2 somos ordenados a nos alegrar com as provações: “tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tiago 1:2). É muito fácil nos alegramos quando tudo está bem ou quando nos sentimos abençoados e entendemos que “bênçãos” inclui tudo aquilo que realiza o nosso desejo de ter e possuir, o que irá nos proporcionar o bem-estar da alma. Mas as “Bênçãos” também dizem respeito a tirar lições da dor. As bênçãos de Deus na nossa vida incluem tanto aquelas que produzem prazer, como aquelas que causam dor.

Quando Paulo recebeu o “espinho na carne” o resultado foi a dor e o sofrimento, mas não era uma maldição, ao contrário, era bênção de Deus na vida do apóstolo. Se Paulo não tivesse a bênção do espinho seria, provavelmente, muito soberbo e, o resultado se daria pela difamação do evangelho. Ser desafiado a olhar com alegria as provações foi um exercício em que Paulo foi aprovado cada vez que precisou passar.

Ora, é motivo também para demonstrarmos entusiasmos com os mais fracos, Paulo disse: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo” (Filipenses 3:8).

O ministério de Paulo não foi fácil, pois tinha como missão demonstrar sua alegria, como um presente recebido de Cristo que foi perseguido e desprezado, mas não perdeu a doçura em meio às lutas. As provações não deixaram Jesus amargurado, Ele contemplou os lírios do campo e as aves do céu e soube ensinar os Seus discípulos a fazerem a mesma coisa. Jesus nos ensina a vencer as inquietudes da vida tirando lições da natureza. E quando se trata de traição e falta de caráter, Jesus foi traído pelo preço de um escravo, trocado por um homicida e crucificado como um malfeitor, tendo todos os motivos do mundo para amargura e ódio. Mas Ele venceu com o amor!

Obviamente podemos encontrar em Filipenses o motivo por que Paulo demonstra tanto entusiasmo e contentamento: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Filipenses 4:11).

Tiago nos deixa o mandamento da alegria diante das provações e Paulo nos ensina o caminho para vivermos este princípio. Caminhar com Cristo é aprender a viver em toda e qualquer situação. Paulo aprendeu a viver contente colocando em prática esse aprendizado. Este deve ser o nosso alvo, o nosso desafio em meio às provações.

Agora é tempo de renascer para a Vida Eterna e não apenas para a vida das estações desse mundo. As provações de nossa fé são testes para nos deixar mais perseverantes, íntegros e maduros, como Tiago escreveu: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” (Tiago 1: 2-5)

Pois, “Bem-aventurado aquele que persevera na prova porque, tendo passado a prova, receberá a coroa de vida que o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1:12).

Que possamos extrair o bem de tudo o que nos acontece nessa situação de pandemia.

A esperança no sofrimento

Por Thais Oliveira

Não temos como duvidar de que o sofrimento é uma das mais angustiantes e difíceis questões que devem ser enfrentadas por nós em nossa curta passagem por este planeta. Há milênios, filósofos, poetas, teólogos, escritores e pensadores propõem questões a esse respeito: “por que sofremos?”, ou “por que o mal existe?”

Deus é bom, ou, nos termos gregos com a linguagem da Bíblia, Deus é o Bem. Quando consideramos Deus bom e sábio, Seu juízo é diferente do nosso, o que pode aparentar bom aos nossos olhos, pode ser mal aos olhos dEle e o que parece ser mal aos nossos olhos pode não ser.

De fato, quando pensamos que Deus está trazendo uma punição para dor, que relaciona-se com o latim poena, que carrega o significado de pena ou punição, como vemos em Eclesiastes 39: 29: “Fogo e granizo, fome e pestilência, tudo isso foi criado para a vingança”, esse pensamento é rejeitado por nosso Senhor no Livro de Jó e no Novo Testamento. Obviamente, há por trás desse pensamento de punição com o sofrimento o fato de que cada sofredor (depois da infância) é um pecador, mas o que se vê na verdade é que em geral não é o caso que os sofrimentos de um homem são proporcionais ao grau de seus pecados. Pelo contrário, algumas vezes aquele que é relativamente inocente sofre dolorosamente, enquanto aquele que é comparativamente pecaminoso parece seguir sem perturbação.

O mal que aflige nossas vidas que muitas vezes é suportado de forma desigual por várias pessoas, são uma consequência divinamente estabelecida do pecado original.

A gravidade da enfermidade de Jó o fez pensar na morte como a única maneira de ter esperança. “Pereça o dia que me viu nascer” (Jó3:3), “Por que não fechou as portas do ventre para esconder à minha vista tanta miséria. Por que não morri ao deixar o vente materno ou pereci ao sair das entranhas?” (Jó 3:11). “E tão desfigurado estava que seus amigos não podiam reconhecê-lo” (Jó 2:12).

A doença poderia ser a lepra, ou qualquer outra espécie de doença que obrigava seu afastamento social para não contaminar as pessoas. A enfermidade de Jó é terrível, sua visão era horrível, o cheiro insuportável, a morte está em sua pele. Vejamos como ele fala de si:

“Que forças me sobram para resistir?

Que destino espero para ter paciência?” (Jó 6:11).

“Quando me deito, penso: ‘quando virá o dia?’

Ao me levantar: ‘ quando chegará a noite?

E pensamentos loucos invadem-me até o crepúsculo.

Meu corpo cobre-se de vermes e pústulas,

A pele rompe-se e supura.” (Jó 7:4-5)

“Meus dias correm mais depressa que um atleta

E se esvaem sem terem provado a felicidade.” (Jó 9:25)

“Meus olhos se consomem irritados

E todos os meus membros são como sombra” (Jó 17:7)

“Á minha mulher repugna meu hálito,

E meu mau cheiro, aos meus próprios irmãos.” (Jó 19:17)

“Meus ossos estão colados à minha pele e à minha carne” (Jó 19:20)

“A minha alma agora se dissolve:

Os dias de aflição apoderam-se de mim.

De noite um mal penetra meus ossos,

Minhas chagas não dormem.” (Jó 30:16-17)

“Minha pele se enegrece e cai, meus ossos são consumidos pela febre. Minha cítara está de luto e minha flauta acompanha os pranteadores” (Jó 30:30-31)

Sobre Jó recai o sofrimento em todos os aspectos da vida humana. Todos os seus pertences divinos que simbolizava as bênçãos de Deus, os bens, a família, a saúde, lhe é tirado tornando-se não apenas um pobre economicamente, mas, sobretudo moralmente.

Quanto ao corpo físico, Jó suporta todas as dores, mas não é esse seu maior sofrimento. O que mais lhe angustiava era o que considerava injusto no mundo. Jó levanta sua voz num lamento que só cessará quando Deus lhe responder (Jó 38). Nesse clamor, Jó está sozinho, e na sua solidão, está a dor da humanidade sofredora. É desse sofrimento solitário que brota a esperança e a fé no Deus que é justo e bom, que protege cada um de nós que enfrentamos tempos de angústia.

Jó, o homem do sofrimento, representa a humanidade inteira mergulhada na dor. Sobre ele recai toda a dor humana em todas as dimensões: material, afetiva, física, social e existencial.

A presença de alguém no momento de sofrimento é tão importante que as Escrituras registram, no Antigo Testamento, um dos momentos mais marcantes na vida de Jó. A dor era tão grande que os seus amigos foram ao seu encontro lhe dar consolo ficando sete dias com ele (Jó 2:13). A presença de amigos é tão essencial quanto a presença divina. Sete dias e sete noites presentes, consolando, dando esperança. A presença consola. A presença de alguém amado, em momentos de grandes dores, consola. E as Escrituras testificam que Jesus estava presente (Jó 21:4), Ele é a real Esperança!