A cabra do Sr. Séguin

Tradução: Thais Rocholi

Para o Sr. Pierre Gringoire, poeta lírico em Paris.

 “Você será sempre o mesmo, meu pobre Gregório!

Como? ”Ou“ O quê!

Nós lhe oferecemos uma vaga de colunista de um bom jornal de Paris, e você simplesmente recusa… Olhe para sua vida, menino infeliz! Olhe para essa blusa furada, essas calças rasgadas, esse rosto magro que chora de fome. É aqui que você conseguiu impulsionar a paixão por belas rimas! Isso é o que dez anos de serviço leal lhe serviram nas páginas do Sr. Apollo… Afinal de contas, você não tem vergonha?

Então seja um cronista, seu idiota! Torne-se um colunista! Vão te colocar no pedestal, você terá seu lugar em Brébant, e pode aparecer nos dias de estreia com uma nova pena na sua barra… Não? Você não quer? … Você finge que permanece livre como desejar até o fim…”

Você verá o que ganhamos por querer viver livremente. Para refletir trago o clássico conto francês sobre uma cabra, “A cabra do Sr. Seguin”, o famoso personagem dos contos de Alphonse Daudet.

Sr. Séguin nunca foi totalmente feliz com suas cabras. Ele perdeu todas da mesma forma: Uma bela manhã, elas quebraram a corda, indo para a montanha, e lá no topo o lobo as comia. Nem as carícias de seu mestre, nem o medo do lobo, nada as impedia de ir para a montanha. Era, ao que parece, cabras independentes, querendo a qualquer preço a liberdade.

O bravo Sr. Séguin, que não conseguia entender nada sobre o caráter de seus animais, ficou consternado. Ele disse:

– É o fim! Cabras ficam entediadas comigo. Eu não vou ficar com nenhuma delas.

No entanto, ele não desanimou, e, depois de perder seis cabras da mesma forma, ele comprou a sétima. Só que desta vez ele teve o cuidado de pegá-la muito jovem, para que ela se acostumasse a ficar em casa.

Ah! Gregório, que linda é a pequena cabra do Sr. Séguin! Que olhos suaves, seu cavanhaque de sub-oficial, seus cascos pretos e brilhantes, seus chifres listrados e seus longos cabelos brancos que lhe cobriam como uma túnica! Foi quase tão charmoso quanto o filho da Esmeralda, você lembra, Gregório? – e então, dócil, acariciante, deixando pegar o leite sem se mexer, sem colocar pé na tigela. Um pouco de amor de bode…

O Sr. Séguin fechava a cerca atrás de sua casa rodeado por espinheiros. É aqui que ele estabeleceu o limite. Ele a amarrou a uma estaca, no lugar mais bonito de prado, tomando cuidado para deixar que ela tivesse muita corda, e de vez em quando ele verificava se ela estava bem. A cabra ficou muito feliz e pastou na grama com tão bom coração que Sr. Séguin ficava encantado. 

– Finalmente, pensou o pobre homem, aqui estão algumas daquelas que não ficarão entediadas em casa!

 Sr. Séguin estava errado, sua cabra estava entediada. Um dia, ela disse a si mesmo enquanto olhava para a Montanha:

– Como devemos estar bem lá em cima! Que prazer de brincar nas colinas verdes, sem aquele maldito cordão que te roça o pescoço! … É bom para o burro ou para o boi pastar em área fechada! … Cabras, elas precisam de espaço.

Daquele momento em diante, a grama do cercado parecia sem graça e sem sabor. O tédio veio para ela. Ela está perdendo peso e seu leite tornou-se escasso. Foi muito triste ver ela arrastando a sua corda o dia inteiro, sua cabeça virava para o lado de montanha, com narina aberta, fazendo Mê! … infelizmente.

O Sr. Séguin notou que sua cabra não estava nada bem, mas ele não sabia o que que era … Uma manhã, quando ele estava terminando ordenhava, a cabra se virou e disse em seu dialeto:

Ouça, Sr. Séguin, estou com saudades!

Em sua casa eu enlouqueço, deixe-me ir para a montanha.

– Ah! meu Deus! … Ela também! Gritou o senhor Séguin atordoado, e de repente ele deixou cair a sua tigela; então, sentou-se na grama ao lado de sua cabra:

– Como, Blanquette, você quer me deixar!

 E Blanquette respondeu:

– Sim, Sr. Séguin.

– É pasto que lhe falta aqui?

– Oh ! Não ! Sr. Séguin.

– A corda que te amarra está curta? Você quer que eu alongue a corda?

– Não vale a pena, senhor Séguin.

– Então, o que você precisa? O que é aquilo? O que você quer?

– Eu quero ir para a montanha, senhor Séguin.

– Mas, cabra mulher infeliz, você não sabe que existe o lobo na montanha … o que você vai fazer quando ele aparecer? …

– Vou acertá-lo com meus chifres, Sr. Séguin.

– O lobo não liga para seus chifres. Ele comeu as cabras que tinham chifres maiores que os seus…Você sabe muito bem, a coitadinha Renaude quem esteve aqui no ano passado? Uma cabra mais velha, forte e mesquinha como uma cabra. Ela lutou com o lobo o tempo todo durante a noite … mas, pela manhã, o lobo a comeu.

– Ai dela! Coitado do Renaude! … Isso não vai acontecer comigo, senhor Séguin, deixa-me entrar na montanha.

– Divina bondade! … disse M. Séguin

 Mas o que eles estão fazendo com minhas cabras?

Outra que o lobo vai comer … bem, não … vou salvá-lo apesar de você lamentar, sua velhaca! E para que você não quebre sua corda, eu vou lhe trancar no estábulo e você ficará lá para sempre.

Em seguida, o Sr. Séguin levou a cabra para um estábulo muito escuro, em seguida, ele fechou a porta dando duas voltas. Infelizmente ele tinha esquecido a janela e assim que ele virou as costas, a pequena foi embora … Você está rindo, Gregório?

Claro! Eu acredito!

-Boa. Você está na festa da cabra, você é do partido da cabra, bom senhor Séguin …

-Vamos ver se você rirá mais.

Quando a cabra branca chegou na montanha, foi um deleite geral.

As velhas árvores nunca tinham visto nada tão lindo. As árvores a receberam como uma pequena Rainha. Os castanheiros curvaram-se em terra para acariciá-la com as pontas de seus galhos. A vassoura dourada abriu-se para a sua passagem, e cheirava bem, desde que pudesse. A montanha inteira comemorou.

Você acha, Gregório que se nossa cabra fosse feliz, sem mais corda, sem mais estaca … com nenhum impedimento que lhe tolhesse  de brincar, de pastar no caminho … Lá era onde ela encontrava grama!

Até lhe ultrapassava os chifres, meu caro!… E que erva! Saborosa, fina, recortada, feita de mil plantas… Era muito diferente do capim do cercado. E as flores, então!… Grandes campanários azuis, digitalis de púrpura, com longos cálices, toda uma floresta de flores silvestres, transbordando sucos inebriantes!…

A cabra branca meio bêbada chafurdou lá com as pernas para cima e rolou ao longo dos diques, misturado com as folhas caído e castanhas … Então, de repente ela se endireitou em suas patas.

Então saltava! Aqui está ela, cabeça para frente, através os arbustos, às vezes em um pico, às vezes no fundo de uma ravina, por cima, por baixo, por todos os lugares … parecia que havia dez cabras do Sr. Séguin na montanha.

Ela era corajosa, Blanquette não tinha medo de nada.

Ela estava cruzando com um grande salto nas torrentes que espirraram sobre ele poeira úmida e escória de espuma.

Então, toda pingando, ela ia se esticar em alguma rocha plana e se secava no sol… Uma vez, avançando na beira de um bandeja, uma flor de laburno até os dentes, ela viu abaixo, muito abaixo na planície, a casa do Sr. Séguin com um cercado atrás.

Isso a fez rir até chorar. – Que lugar pequeno! Ela diz.

-Como eu poderia caber lá?

Pobrezinha! Viu-se num lugar tão alto, que acreditou pelo menos ser tão grande quanto o mundo …

Naquela hora, foi um bom dia para a cabra do Sr. Séguin. Perto do meio do dia, correndo à direita e à esquerda, ela caiu no meio de um bando de servos que despedaçavam, para comer, uma vinha selvagem. Nossa pequena corredora, de roupa branca, causou sensação. Deram-lhe o melhor lugar na vinha, e todos esses senhores foram muito galantes…

 -Parece mesmo, isso deve permanecer entre nós, Gregório, – que um jovem servo com um casaco preto, teve a sorte de agradar Blanquette. Os dois amantes se desviaram entre a floresta uma ou duas horas, e se você quiser sabe o que eles disseram um ao outro, vá perguntar à fontes falantes que funcionam invisivelmente numa espuma.

De repente, o vento fica mais forte. A montanha ficou roxa. Era noite.

 – Já! Disse a cabrinha e ela parou muito surpresa.

Abaixo, os campos foram submersos em névoa. O cercado do Sr. Séguin desapareceu no nevoeiro, e com relação à casinha, não podíamos ver mais do que o telhado com um pouco de fumaça. Ela ouviu os sinos de um rebanho que se recolhia, e sentia a alma muito triste … Viu um corujão, que estava voltando para o ninho, roçando suas asas para ter passagem. Ela se encolheu…

Então foi um uivo no Montanha:

– Uau! Uau!

Ela pensou no lobo… o dia todo a louca não tinha pensado nisso … Ao mesmo tempo, um som de um shofar soou longe no vale. Era este bom Sr. Séguin que tentou pela última vez.

– Uau! Nossa! … disse o lobo.

 – Volte ! Volte! … tocou o Sr. Séguin o shofar .

Blanquette queria voltar; mas em si mesmo relembrando a estaca, a corda, a cerca do cercado, pensou que agora ela não poderia viver dessa forma, e que era melhor ficar.

O som do shofar não soou mais … A cabra ouviu um som de folhagens.

Ela se virou e viu nas sombras dois orelhas curtas, retas, com dois olhos brilhantes …

Era o lobo.

Enorme, imóvel, sentado em seu trem atrás ele estava lá olhando para a cabrinha branca, a fim de prová-la com antecedência. Como ele sabia muito bem que iria comê-la, o lobo não teve muita pressa. Só quando ela se virou e riu violentamente.

– Ah! ha! A cabrinha do Sr. Séguin! E ele passou sua grande língua vermelha pelos lábios para se aproximar da isca.

Blanquette se sentiu perdida … Por um momento, relembrando a história do velho Renaude, que lutou a noite toda para ser comida pela manhã. Ela disse a si mesma que valeria a pena talvez seja melhor se deixar comer diante de tudo isso. Depois, então, tendo mudado de ideia, caiu em guarda, a cabeça baixa e o chifre para a frente, como corajosa cabra do Sr. Séguin que era. Não que ela tivesse qualquer esperança de matar o lobo, cabras não matam lobos, – mas só para ver se ela conseguia segurar também muito mais tempo que a Renaude …

Então o monstro deu um passo à frente, e os mais pequenos chifres entraram em dança. Ah! a criança corajosa, como ela estava indo com um bom coração!

Mais de dez vezes, eu nunca minto não, Gregório, ela forçou o lobo a recuar para recuperar o fôlego. Durante essas tréguas, num minuto, o ganancioso escolheu com pressa ainda um ramo de sua querida grama. Então ela voltou a lutar com a boca cheia … durou a noite toda. De vez em quando a cabra do Sr. Séguin olhava para as estrelas dançando no céu claro e ela disse a si mesma:

– Oh ! Enquanto eu aguentar até o amanhecer …

Blanquette redobrou seus golpes de chifre que começaram a dançar nos dentes do lobo…

Um brilho pálido apareceu no horizonte … um canto rouco de galo veio de uma pequena propriedade.

– Finalmente ! Disse a pobre cabra, que não estava esperando mais do que um dia para morrer. E ela deitou-se no chão em seu belo pêlo branco todo manchado de sangue …

Então o lobo se jogou na cabrinha e a comeu.

Adeus, Gregório!

MORAL DA HISTÓRIA: Esta história relata a relação de muitas pessoas com o nosso pastor Jesus Cristo. Sempre há o desejo de fugir do aprisco (igreja) para a montanha (o mundo) que oferece muitos atrativos. O que em geral acontece, é que na falta de sabedoria, somos pegos de surpresa e, as consequências quanto à isso, é nos tornarmos iscas de lobos (pecados) vorazes. Mas quando não desprezamos a experiência de quem já foi e viu como a montanha realmente é, não nos enveredamos pelos caminhos tortuosos, mas sossegamos em nosso canto.

Pornografia e feminismo exortações sob o olhar bíblico

Por Thais Rocholi

“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação;

Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra;

Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus.

Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos.

Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.” 1 Tessalonicenses 4:3-7

Nas literaturas feministas a pornografia é usada com o propósito de desconstrução do modelo idealizado por Deus de família formada por um homem e uma mulher: as mulheres nesse tipo de livro amam encontros fugazes sem culpa, que falam sobre sexualidade de uma forma quase obsessiva, expressando em suas falas e escritas descontrole e histeria sexual. Os livros feministas privilegiam sempre o mesmo universo: o da violência, da prostituição e da pornografia.

As autoras feministas usam a pornografia contra aquilo que viveram, criando cenários de apresentações onde, geralmente, vemos mulheres exercendo o comportamento dos defeitos masculinos. Além disso, os encontros sexuais das “heroínas” quase sempre terminam com a morte do homem.

Em relação ao tema desta semana e verificando depoimentos de algumas feministas, a maioria delas relatam  seu testemunho pornográfico sadomasoquista em que o prazer físico acompanha a sua dor. A partir de alguns depoimentos, há o discurso de denúncia de ódio de jovens que sofreram terrivelmente com pais abusivos que as agrediam e as faziam vítimas de incesto.

Se você perguntar sobre o discurso de mulheres que sofreram incesto teve alguma consideração, a resposta que se tem é que os ouvintes, na maioria das vezes, interagem de forma violenta e provocativa às denúncias. Muitas se sentem insultadas, mas não se indignam, o estado de histeria aumenta, se tornando mais sexualmente agressivas.

Frente ao que acontece, a amargura toma o lugar da honra, não há troca sentimental entre homem e mulher, não há palavras, não há humanidade porque os frutos nascidos de uma relação mesmo que casual são rejeitados no ventre e doados em orfanatos, não há ternura e a continuação da vida humana é interrompida num aborto. Logo, o que se deseja é apenas o clímax instantâneo, categorizando a sexualidade que se encaixa num molde pré-fabricado de quem é tradicional.

No livro de Êxodo 21:22-25 encontramos a mesma pena para alguém que comete um homicídio e para quem causa a morte de um bebê no útero. Isto significa dizer que para Deus, um bebê no útero é  um ser humano tanto quanto um adulto. Para o cristão, o aborto não é um assunto que uma mulher deva ter o direito de escolher. É uma questão de vida ou morte de um ser humano feito à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27; 9:6).

A amargura é um sentimento sufocante que vem da tristeza e do rancor contínuo. A Bíblia nos exorta a nos livrar de toda a amargura. “Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade” Efésios 4:31

O Senhor está presente nos momentos mais difíceis da vida de cada um de nós. “Só ele cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas (…) O Senhor eleva os humildes, e abate os ímpios até à terra.” Salmo 147:3. O Senhor é bom em toda adversidade e você poderá ver o seu perdão quando se arrepende de seus pecados, pois no eco do vazio, Ele preenche e consola o choro da noite.

Ser uma mulher  “sóbria” e autocontrolada é o que a Bíblia nos ensina a ser, e eu sei que você quer saber mais. Na verdade, quase não presto atenção a estes versículos sobre sobriedade. No entanto, se não me engano, a palavra “sóbrio” nunca se refere a estar bêbado, mas se refere ao caráter de alguém.

“(…)para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do Diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade.” 2 Timóteo 2:26

Você já conheceu  alguma mulher que tinha controle sobre o seu espírito? Uma mulher que não tem medo, não é turbulenta, nem grosseira e nem excessivamente emocional, mas, pelo contrário, seu caráter exibe um ar de serenidade, fazendo até mesmo aqueles ao seu redor se sentirem calmos?

“Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra integridade, sobriedade,  linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se confunda, não tendo nenhum mal que dizer de nós.” Tito 2: 7-8

Isso é o que eu imagino que significa estar sóbrio, de acordo com as Escrituras. Na verdade, os significados gregos envolviam essas duas definições:

“Para exercer o autocontrole e para conter as próprias paixões.”

Sobriedade está relacionada ao comedimento, parcimônia, moderação, naturalidade, ausência de complicação e simplicidade.

Paulo fez uma solene exortação aos crentes da igreja na cidade de Tessalônica: “Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios” I Tessalonicesses 5:6

Quem dorme não vigia. Quem vigia não dorme.

A sobriedade diz respeito ao equilíbrio horizontal. A justiça corresponde ao equilíbrio vertical e para ficar mais claro, não há nada melhor do que viver sob o prumo de Deus, o Justo Juiz e, enquanto se é cristão, a piedade aos opressores é o somatório dos dois elementos anteriores.

Compilando todas as diferentes definições de mulher virtuosa das Escrituras, obtemos continuamente a imagem de uma mulher calma e controlada. A mulher de Provérbios 31 está “vestida de dignidade” e “abre a boca com sabedoria.”

O único consolo para os dias atuais

Por Thais Rocholi

Independentemente de onde estivermos ou em qual celebração estivermos, os cristãos que confessam  o Credo dos Apóstolos estão fazendo sua profissão de fé. O Credo dos Apóstolos, também conhecido como ‘Credo’ em latim, ou como ‘Símbolo dos Apóstolos’, é uma oração que contém os principais elementos do Cristianismo: a crença na Santíssima Trindade, a comunhão dos santos e a ressurreição do corpo. Sendo esta uma maneira de explorar as raízes do cristianismo como uma declaração daquilo que acreditamos. Um dia Jesus estava falando com Seus discípulos e as Escrituras registraram o que aconteceu em seguida: “Disse-lhes: ‘Mas quem vocês dizem que eu sou?’ Simão Pedro respondeu e disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.’ ”(Mateus 15: 15-16). Não existe nada mais simples do que isso. E vamos a oração:

Creio em Deus, Pai todo-poderoso,

Criador do céu e da terra.

E em Jesus Cristo,

seu Filho unigênito, nosso Senhor,

o qual foi concebido pelo Espírito Santo,

nasceu da virgem Maria,

padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,

foi crucificado, morto e sepultado,

desceu ao mundo dos mortos,

ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu,

e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso,

de onde virá para julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo,

na santa Igreja cristã, a comunhão dos santos,

na remissão dos pecados,

na ressurreição do corpo e na vida eterna.

Amém.

Creio na ressurreição do corpo e na vida eterna!

Se temos a vida eterna, nós cremos no reino dos céus que descerá sobre a terra. Cremos também no reino daqueles que continuarão vivendo após a ressurreição onde não haverá mais morte. Essa é a nossa esperança e a nossa alegria para o chamado da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. O consolo diante das mortes que vemos todos os dias é que a história terminará com a consumação do corpo, cuja esperança é a Vida Eterna. Nosso olhar diante da morte é a do plano previamente formulado por Deus.

As vezes pensamos que o mau que acontece tem a capacidade de alterar os planos de Deus, mas não é assim que Deus faz. Muito pelo contrário, quando o mau faz o pior, ele descobre que cumpriu o bem que Deus desejou. Basta ler a história de José e de Ester (Gênesis 37, Ester). No meio do caminho há muitos pedregulhos, mas Deus nos guia naquilo que Ele planejou.

A dor e o sofrimento quase sempre nos tiram a capacidade de perceber a razão dos fatos. Pode ser terrível passar por tribulação. Eu, certamente, sinto desconforto, aperto e incômodo. Mas não devemos buscar conveniência para o nosso lado, pois quando temos muita conveniência, a tendência é abandonar a fé. Embora muitos de nós fiquemos perplexos por não sabermos o porquê das provações, não devemos invalidá-las. Por experiência própria, a provação é genuína e tem sempre um propósito. Às vezes, eu não sei a razão de ser provada, mas Deus sabe e isso já deve bastar.

José e Ester não faziam ideia do por que de tanto sofrimento. A razão é que eles estavam sendo provados e com o tempo saberiam a resposta. A palavra de Deus, a nossa experiência com Ele e o futuro só pode nos confirmar que tudo o que o cristão passa em sua caminhada têm propósitos definidos. Nada acontece como fruto do acaso. Não estamos na superfície da História. E Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam, dos que foram chamados segundo o Seu propósito (Romanos 8.28).  Todos nós precisamos passar por tribulação, pois as provações nela têm o propósito de produzir fé e caráter aprovado! A fé produz a perseverança e o sofrimento que muitas vezes age como um verdadeiro instrumento da graça serve para tirar o orgulho do soberbo e a autosuficiência do arrogante.

A única maneira de não nos sentirmos preocupados, ou totalmente perturbados por notícias como guerras, fomes, doenças, terremotos é a nossa atitude de fé inabalável naquele cujo nome é Fiel! Devemos confiar que Deus é bom, que Ele nos ama e que nós, Seus filhos, estamos na palma de Sua mão, como Ele disse em João 10: 27-29. Que possamos nos apegar no Salmo 61: 1-5, 62: 6-8. “Quando o meu coração estiver sobrecarregado: conduza-me à rocha que é mais alta do que eu … Ele é a minha rocha e a minha salvação”. Quando acreditamos, não há espaço para o medo!

Para finalizar, você sabe onde passará a eternidade?

Uma esperança para quem já entregou a vida para Jesus:

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.

E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.

E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.

E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.

E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” Apocalipse 20:11-15

O cuidado com a apostasia

Por Thais Oliveira

Somos advertidos pela Bíblia a tomar cuidado com pessoas como Ário (250-336 d.C.), um sacerdote cristão de Alexandria, no Egito, que foi treinado em Antioquia no início do século IV. Por volta de 318 d. C., Ário levantou algumas acusações sobre o Bispo Alexandre de Alexandria de chancelar o sabelianismo, cujo ensinamento falso afirmava que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não passavam de meros papéis ou maneiras assumidas por Deus em cada momento. Ário tinha como determinação enfatizar a unidade de Deus. Mas não se deteve a ir tão longe em seu ensino sobre a natureza de Deus. Ário negou a Trindade quando apresentou o que parecia ser uma diferença inconsequente entre o Pai e o Filho.

Seu argumento apontava que Jesus não era homoousios, ou “da mesma essência” que o Pai, ao contrário disso, foi bastante homoiousios “de essência semelhante”. Nesse sentido, apenas uma letra grega – o iota (ι) – separava os dois. Como um grande engano, Ário descreveu sua posição da seguinte maneira: “O Pai existia antes do Filho. Houve um tempo em que o Filho não existia. Isso significa que o Filho foi criado pelo pai. Portanto, embora o Filho fosse a mais elevada de todas as criaturas, ele não era da essência de Deus.”

Ário era ardiloso e fazia de tudo para atrair o povo, e como a música atrai muitas pessoas, ele compôs algumas que ensinavam sua teologia para todos aqueles que se juntavam passassem a ouvir. Nem todos, porém desconfiavam da sua real natureza, pois se mostrava cativante, ascético, com uma  posição que o reverenciava como pregador conseguindo contribuições para sua causa.

A palavra apostasia vem do grego com o significado técnico relacionado à “revolta política”. Mas nas Escrituras, apostasia significa “abandono ou deserção da fé de forma consciente”. O comportamento apóstata caracteriza uma rejeição definitiva à verdade da Palavra de Deus.

Por ser uma palavra grega, originalmente, “apostasia” não é encontrada no Antigo Testamento hebraico. No entanto, essa palavra é utilizada diversas vezes para traduzir algumas expressões do hebraico que denotam um estado de rebelião contra Deus, abandono de seus mandamentos e profanação do sagrado (Josué 22:22; Deuteronômio 13:13; Sofonias 1:4-6; 2 Crônicas 29:19).

No Novo Testamento encontramos a palavra apostasia originalmente apenas duas vezes em Atos 21:21 e 2 Tessalonicenses 2:3. Observando sua referência no livro de Atos, o apóstolo Paulo foi acusado maliciosamente de incitar os judeus a se desviarem da Lei de Moisés. Já a “apostasia” mencionada por Paulo à igreja em Tessalônica indica que afetou todas as áreas da vida. É verdade, a palavra é tão forte e enfática que sugere um colapso completo da moral, da ética e da espiritualidade.

O apóstolo Paulo escreveu: “Esse dia [o dia do Senhor] não virá, a menos que venha primeiro a apostasia” (2 Tessalonicenses 2: 3). O contexto desta passagem evidencia que “a apostasia” se refere não somente ao abandono da crença intelectual, mas também ao abandono da moral e do amor que deve caracterizar todos os cristãos de todos os tempos.

O autor de Hebreus nos dá uma ilustração para acentuar a advertência sobre a apostasia: “Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.”( Hebreus 6: 7-8 ).

A obra do Espírito Santo através do evangelho de Cristo é o trabalho para que cada vaso do coração produza frutos. Espinhos e  ervas daninhas são uma lembrança da maldição de Deus no solo em Gênesis 3:18. Bênção e maldição são temas que circundam o Antigo Testamento para que consultemos o livro de Hebreus. Aqueles que receberam as promessas de Deus e creram em Deus são considerados heróis de fé (Hebreus 11) Outros receberam as promessas, mas morreram em desobediência e descrença (Hebreus 3: 16-19). Em Deuteronômio 28:30, Deus deu grandes promessas de bênçãos e terríveis advertências de maldições. Os cristãos, de acordo com o livro de Hebreus, têm promessas ainda maiores e advertências muito mais severas. Tenhamos cuidado com a apostasia!

As Provações da nossa Fé

Por Thais Oliveira

Estamos passando por um tempo difícil, divergência entre o desejo de melhorar o mundo e a soberania de Deus em nos mostrar que muitos de nós não somos desse mundo. Estamos vivendo uma pandemia mundial jamais experimentada em toda a história, para o bem ou para o mal tiramos lições variadas disso tudo. A decisão é de cada um de nós!

As provações podem vir diretamente de Deus, como no episódio de Gênesis 22 no sacrifício do filho de Abraão para Deus, ou também pode vir de Satanás por permissão de Deus, como vemos em Jó (Jó 1:6-12) ou pode vir de alguém próximo, como na história de José, quando seus irmãos lhe intentaram o mal (Gênesis 37:14-28; 50:20) ou de várias circunstâncias que ocorrem todos os dias nas cenas que vemos nas ruas, nos hospitais, na religião, na política, na sociedade, na economia. Apesar de todos esses males, temos uma certeza absoluta, Deus está acompanhando o decurso de tudo o que acontece para nos edificar.

A Palavra de Deus não precisa ser discutida, mas obedecida quando em Tiago 1:2 somos ordenados a nos alegrar com as provações: “tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tiago 1:2). É muito fácil nos alegramos quando tudo está bem ou quando nos sentimos abençoados e entendemos que “bênçãos” inclui tudo aquilo que realiza o nosso desejo de ter e possuir, o que irá nos proporcionar o bem-estar da alma. Mas as “Bênçãos” também dizem respeito a tirar lições da dor. As bênçãos de Deus na nossa vida incluem tanto aquelas que produzem prazer, como aquelas que causam dor.

Quando Paulo recebeu o “espinho na carne” o resultado foi a dor e o sofrimento, mas não era uma maldição, ao contrário, era bênção de Deus na vida do apóstolo. Se Paulo não tivesse a bênção do espinho seria, provavelmente, muito soberbo e, o resultado se daria pela difamação do evangelho. Ser desafiado a olhar com alegria as provações foi um exercício em que Paulo foi aprovado cada vez que precisou passar.

Ora, é motivo também para demonstrarmos entusiasmos com os mais fracos, Paulo disse: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo” (Filipenses 3:8).

O ministério de Paulo não foi fácil, pois tinha como missão demonstrar sua alegria, como um presente recebido de Cristo que foi perseguido e desprezado, mas não perdeu a doçura em meio às lutas. As provações não deixaram Jesus amargurado, Ele contemplou os lírios do campo e as aves do céu e soube ensinar os Seus discípulos a fazerem a mesma coisa. Jesus nos ensina a vencer as inquietudes da vida tirando lições da natureza. E quando se trata de traição e falta de caráter, Jesus foi traído pelo preço de um escravo, trocado por um homicida e crucificado como um malfeitor, tendo todos os motivos do mundo para amargura e ódio. Mas Ele venceu com o amor!

Obviamente podemos encontrar em Filipenses o motivo por que Paulo demonstra tanto entusiasmo e contentamento: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Filipenses 4:11).

Tiago nos deixa o mandamento da alegria diante das provações e Paulo nos ensina o caminho para vivermos este princípio. Caminhar com Cristo é aprender a viver em toda e qualquer situação. Paulo aprendeu a viver contente colocando em prática esse aprendizado. Este deve ser o nosso alvo, o nosso desafio em meio às provações.

Agora é tempo de renascer para a Vida Eterna e não apenas para a vida das estações desse mundo. As provações de nossa fé são testes para nos deixar mais perseverantes, íntegros e maduros, como Tiago escreveu: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” (Tiago 1: 2-5)

Pois, “Bem-aventurado aquele que persevera na prova porque, tendo passado a prova, receberá a coroa de vida que o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1:12).

Que possamos extrair o bem de tudo o que nos acontece nessa situação de pandemia.

A esperança no sofrimento

Por Thais Oliveira

Não temos como duvidar de que o sofrimento é uma das mais angustiantes e difíceis questões que devem ser enfrentadas por nós em nossa curta passagem por este planeta. Há milênios, filósofos, poetas, teólogos, escritores e pensadores propõem questões a esse respeito: “por que sofremos?”, ou “por que o mal existe?”

Deus é bom, ou, nos termos gregos com a linguagem da Bíblia, Deus é o Bem. Quando consideramos Deus bom e sábio, Seu juízo é diferente do nosso, o que pode aparentar bom aos nossos olhos, pode ser mal aos olhos dEle e o que parece ser mal aos nossos olhos pode não ser.

De fato, quando pensamos que Deus está trazendo uma punição para dor, que relaciona-se com o latim poena, que carrega o significado de pena ou punição, como vemos em Eclesiastes 39: 29: “Fogo e granizo, fome e pestilência, tudo isso foi criado para a vingança”, esse pensamento é rejeitado por nosso Senhor no Livro de Jó e no Novo Testamento. Obviamente, há por trás desse pensamento de punição com o sofrimento o fato de que cada sofredor (depois da infância) é um pecador, mas o que se vê na verdade é que em geral não é o caso que os sofrimentos de um homem são proporcionais ao grau de seus pecados. Pelo contrário, algumas vezes aquele que é relativamente inocente sofre dolorosamente, enquanto aquele que é comparativamente pecaminoso parece seguir sem perturbação.

O mal que aflige nossas vidas que muitas vezes é suportado de forma desigual por várias pessoas, são uma consequência divinamente estabelecida do pecado original.

A gravidade da enfermidade de Jó o fez pensar na morte como a única maneira de ter esperança. “Pereça o dia que me viu nascer” (Jó3:3), “Por que não fechou as portas do ventre para esconder à minha vista tanta miséria. Por que não morri ao deixar o vente materno ou pereci ao sair das entranhas?” (Jó 3:11). “E tão desfigurado estava que seus amigos não podiam reconhecê-lo” (Jó 2:12).

A doença poderia ser a lepra, ou qualquer outra espécie de doença que obrigava seu afastamento social para não contaminar as pessoas. A enfermidade de Jó é terrível, sua visão era horrível, o cheiro insuportável, a morte está em sua pele. Vejamos como ele fala de si:

“Que forças me sobram para resistir?

Que destino espero para ter paciência?” (Jó 6:11).

“Quando me deito, penso: ‘quando virá o dia?’

Ao me levantar: ‘ quando chegará a noite?

E pensamentos loucos invadem-me até o crepúsculo.

Meu corpo cobre-se de vermes e pústulas,

A pele rompe-se e supura.” (Jó 7:4-5)

“Meus dias correm mais depressa que um atleta

E se esvaem sem terem provado a felicidade.” (Jó 9:25)

“Meus olhos se consomem irritados

E todos os meus membros são como sombra” (Jó 17:7)

“Á minha mulher repugna meu hálito,

E meu mau cheiro, aos meus próprios irmãos.” (Jó 19:17)

“Meus ossos estão colados à minha pele e à minha carne” (Jó 19:20)

“A minha alma agora se dissolve:

Os dias de aflição apoderam-se de mim.

De noite um mal penetra meus ossos,

Minhas chagas não dormem.” (Jó 30:16-17)

“Minha pele se enegrece e cai, meus ossos são consumidos pela febre. Minha cítara está de luto e minha flauta acompanha os pranteadores” (Jó 30:30-31)

Sobre Jó recai o sofrimento em todos os aspectos da vida humana. Todos os seus pertences divinos que simbolizava as bênçãos de Deus, os bens, a família, a saúde, lhe é tirado tornando-se não apenas um pobre economicamente, mas, sobretudo moralmente.

Quanto ao corpo físico, Jó suporta todas as dores, mas não é esse seu maior sofrimento. O que mais lhe angustiava era o que considerava injusto no mundo. Jó levanta sua voz num lamento que só cessará quando Deus lhe responder (Jó 38). Nesse clamor, Jó está sozinho, e na sua solidão, está a dor da humanidade sofredora. É desse sofrimento solitário que brota a esperança e a fé no Deus que é justo e bom, que protege cada um de nós que enfrentamos tempos de angústia.

Jó, o homem do sofrimento, representa a humanidade inteira mergulhada na dor. Sobre ele recai toda a dor humana em todas as dimensões: material, afetiva, física, social e existencial.

A presença de alguém no momento de sofrimento é tão importante que as Escrituras registram, no Antigo Testamento, um dos momentos mais marcantes na vida de Jó. A dor era tão grande que os seus amigos foram ao seu encontro lhe dar consolo ficando sete dias com ele (Jó 2:13). A presença de amigos é tão essencial quanto a presença divina. Sete dias e sete noites presentes, consolando, dando esperança. A presença consola. A presença de alguém amado, em momentos de grandes dores, consola. E as Escrituras testificam que Jesus estava presente (Jó 21:4), Ele é a real Esperança!

A Felicidade Bíblica e a Psicologia Positiva

Por Thais Oliveira

O tema da felicidade foi despertado em Santo Agostinho após ler Cícero. Ele concluiu que ter a posse de Deus é o que leva o ser humano à felicidade, como vemos neste diálogo:

– Pois bem, prossegui, admitis ser infeliz o homem que não é feliz?

– Sem a menor dúvida.

– Logo, é infeliz quem não possui o que deseja? Todos aprovaram.

– Então, o que o homem precisa conseguir para ser feliz? […]

– Por conseguinte, estamos convencidos de que, se alguém quiser ser feliz, deverá procurar um bem permanente, que não lhe possa ser retirado em algum revés de sorte.

– Já concordamos com isso, diz Trigésio.

-Então, qual a vossa opinião? É Deus eterno e imutável?

– Eis aí uma verdade tão certa que qualquer questão se torna supérflua, interveio Licencio.

Em piedosa harmonia, todos os outros disseram-se de acordo.

Concluí então:

– Logo, quem possui a Deus é feliz! (AGOSTINHO, 1998a, p. 129-131)

Porém, a ideia de uma vida feliz, vitoriosa e livre no mundo contemporâneo está mais para o consumismo e padronização social nos valores democráticos liberais,  bem como o acontecimento da Revolução Americana, tal que é possível ter muita gente acreditando que ser feliz está mais para um objetivo político. Ser uma pessoa livre e dotada pelo seu criador de alguns direitos inalienáveis, consiste na busca por um objetivo na vida, como fala John Locke, o pai do Liberalismo. 

Aqui no Brasil já tem sido cogitado alguns projetos de lei para incluir na constituição o tema da felicidade, mas tornou-se também parte da sabedoria da psicologia moderna. Como não se tinha muita expectativa sobre a felicidade, o discurso era de que o universo não foi desenhado para ser algo contínuo, nem sequer a nossa estrutura, então devemos aceitar o princípio da realidade, buscar o bem-estar e gerenciar a dor e o prazer.

A felicidade na Bíblia é um assunto que segue uma questão de objetividade, quanto a seguir nossos propósitos para florescer. A verdadeira felicidade é ser tratado com justiça, ter uma alegria genuína e autêntica, valorizar e cultivar bons relacionamentos.

Precisamos reconhecer que há virtudes, comportamentos e hábitos que privilegiam o tema da felicidade, embora a solução buscada por muitas empresas são as terapias clínicas, e, assim, a felicidade contrapõe veementemente com a filosofia, o trabalho, a mídia, etc. Sendo este um tema que não é secular, mas cristão.

Como nós, cristãos, temos Cristo como senhor e governador do todo de nossas vidas. Reconhecer isso na psicologia é um grande problema hoje em dia, devido ao naturalismo e ao neopositivismo que domina a psicologia moderna. Frente à isso, quando se entende o conceito de Reino presente nas Escrituras, a sugestão dada é que os cristãos trabalhem pela expressão do senhorio de Cristo na psicologia.

Isto só acontece quando o cristão procura conhecer e praticar a psicologia diante de Deus, de um modo consciente de que toda verdade que envolve a natureza humana é uma expressão da mente de Deus, de que o pecado e a finitude tornam limitantes a capacidade de alguém assimilar a verdade, de que as Escrituras são necessárias para interpretar de modo apropriado a natureza humana, e, na verdade, a atividade do Reino deverá dar uma resposta fiel quanto ao governo de Cristo em nosso trabalho com as pessoas, sobretudo quanto ao conhecimento da natureza humana.

Embora a maioria dos psicólogos argumentem que psicologia e psicoterapia são disciplinas ou atividades que são relativamente neutras face a questões religiosas, a psicologia forma e reflete as atitudes do século XX no que toca a natureza humana, o resto cabe a nós verificar que a psicologia e a terapia modernas compartilham do positivismo, relativismo, individualismo e secularismo que dominam o pensamento moderno.

O que se há de fazer?

Deus conhece todas as coisas (1 João 3:20; Hebreus 4:13).

“Sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.” 1 João 3:20

“Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.” Hebreus 4:13

Ele vê tudo o que as pessoas fazem (Mateus 6:8), e vê até mesmo o interior do coração humano (Jeremias 20:12).

Não podemos conhecer a Deus através da observação ou experiência, mas através das coisas eternas. Seu conhecimento existia antes da formação do mundo (Efésios 1:4,5; 2 Timóteo 1:9), o que se entende com isso é que ninguém pode acrescentar qualquer coisa ao seu conhecimento (Isaías 40: 13 em diante). Quando pensamos na criação, o conhecimento que não acaba sobre os detalhes deve-se ao fato de que Ele a formou.

Deus também conhece tudo o que possivelmente acontece no mundo e na história (Isaías 46:10), pois foi Ele que deu ordens para que acontecesse (Efésios 1:11); mas Ele também conhece o que poderia ter acontecido, bem como todas as coisas que a imaginação humana pode construir. Na verdade, Deus conhece o que deveria ser. Num mundo fora de ordem, há uma lacuna entre o que existe e o estado ideal das coisas. Deus é que sabe como planejou sua criação, então apenas Ele é capaz de revelar seu ideal para ela!

Páscoa – Pentecostes – Festa dos Tabernáculos

Por Thais Oliveira

Uma das coisas mais vívidas na vida dos cristãos, diga-se aí, eu e você, é que estamos experimentando um período muito importante de nossa caminhada, a Páscoa! Mas qual o significado de Páscoa Cristã?

Muitos de nós conhecemos a história da Páscoa como uma celebração da ressurreição de Cristo após sua morte e crucificação, e, principalmente, pelos vários costumes que foram adquiridos no período pascal, todavia, o que não é falado nessa época é que esse período vai do domingo da ressurreição até o domingo de Pentecostes, contando-se aí 50 dias, é um tempo de preparo para a descida do Espírito Santo da promessa!

A origem da palavra Páscoa é hebraica, Pessach que significa “passagem”, expressando assim, a festa da ressurreição, o que marca o final do inverno e a chegada da primavera.

Durante as festas do Velho Testamento, Deus revelou em figura as três principais fases do seu plano: Páscoa, Pentecoste e Tabernáculos.

Todo ano, deveria completar o ciclo destas três festas (Êxodus 23:14-17; Deuteronômio 16:16). Se nós, como cristãos, estamos ansiosos pela consumação do plano de Deus, não podemos ficar satisfeitos somente com uma ou duas destas festas, é necessário e importante ter uma compreensão das três.

Ao caminharmos pela história, a festa da Páscoa se cumpriu de forma literal na primeira ceia e na morte de Jesus (Lc 22.7-20). Jesus, o Cordeiro Santo, Puro e Imaculado foi morto na mesma época em que os cordeiros simbólicos estavam sendo sacrificados.

Ao se celebrar a Páscoa e oferecer sacrifícios para Deus, o cordeiro simbólico deveria estar em estado perfeito, sem mancha e nenhum dos ossos deveria ser quebrado:

“Vocês a comerão numa só casa; não levem nenhum pedaço de carne para fora da casa nem quebrem nenhum dos ossos.” Êxodo 12:46

Assim, tanto o Salmo 34:20 quanto Êxodo 12:46 se cumpriram, nenhum dos ossos de Jesus foram quebrados.

“Era o Dia da Preparação e o dia seguinte seria um sábado especialmente sagrado. Como não queriam que os corpos permanecessem na cruz durante o sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e retirar os corpos.

Vieram, então, os soldados e quebraram as pernas do primeiro homem que fora crucificado com Jesus e, em seguida, as do outro.

Mas, quando chegaram a Jesus, constatando que já estava morto, não lhe quebraram as pernas.” João 19:31-33

O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, o Messias, não teve seus ossos quebrados! Ao refletirmos sobre Jesus na cruz, pensamos na dor, no sofrimento durante todo o período da madrugada nas mãos dos Líderes Judeus, Pilatos e de Herodes. E de uma forma comprobatória para que houvesse reconhecimento de que Ele realmente estava morto, os soldados furaram com uma lança seu lado, de onde saiu água e sangue.

Nos alegramos com a morte de Jesus, porque Ele foi sacrifício por mim e por você, a fim de nos remir de nossos pecados. Não foi um sacrifício qualquer, foi um sacrifício Perfeito!

Tudo o que Ele passou está escrito nos livros dos profetas. De Gênesis a Malaquias podemos encontrar personagens bíblicos que simbolizam a vida de Jesus! Logo, podemos constatar que nada acontece sem um propósito!

De modo similar, o Pentecoste se cumpriu na data de sua celebração figurativa (Atos 2:1). Na mesma data em que a lei foi dada por Deus no Monte Sinai em tábuas de pedra, o Espírito Santo desceu para escrever a lei em tábuas de carne, em nossos corações!

A Festa de Pentecostes ou Festa das Semanas acontecia sete semanas depois da Páscoa (50 dias são sete semanas):

“Depois para vós contareis desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão.

Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao Senhor.” Levítico 23:15,16

Depois vinha a Festa da Colheita dos Primeiros Frutos, chamando a atenção para a celebração do início da colheita do ano.

“No dia da festa da colheita dos primeiros frutos, a festa das semanas, quando apresentarem ao Senhor uma oferta do cereal novo, convoquem uma santa assembleia e não façam trabalho algum.” Números 28:26

A festa do Pentecostes consistia na celebração como um meio de agradecer a Deus pela comida por Ele providenciada. Ocorria ao final da primeira colheita do ano e os judeus faziam um ajuntamento a fim de ofertar uma porção da colheita a Deus. A Festa de Pentecostes era uma grande celebração com um estimado respeito dos judeus em Jerusalém.

O Pentecostes também transformou-se numa comemoração da Lei de Deus! Após algumas semanas da primeira Páscoa, quando os israelitas saíram do Egito, atravessando o Mar Vermelho para chegar ao monte Sinai, lá, Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos.

Na época de Jesus, muitos judeus viviam em outros países, no entanto, eles visitavam Jerusalém com o intuito de celebrar o Pentecostes:

“E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.” Atos 2:5

Quando Jesus morreu e ressuscitou na Páscoa, seus discípulos ficaram em Jerusalém para esperar a chegada do Espírito Santo.

Nessa ocasião tão especial, no domingo de Pentecostes, pela manhã, o Espírito Santo desceu como um vento forte e línguas de fogo e os discípulos começaram a falar em outras línguas que não conheciam.

“E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar;

E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.

E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” Atos 2:1-4

É claro que ao se depararem com este episódio, os judeus de outros lugares se surpreenderam porque cada um ouvia a língua de seu país! Como então para que se cumprisse o propósito de Deus, Pedro pregou o evangelho para uma multidão e nesse dia três mil pessoas se converteram.

Agora, para um final feliz, que demonstra a esperança de todo cristão é que a última festa, a dos Tabernáculos, ainda não foi cumprida, mas está próxima a se cumprir, se cumprirá na segunda vinda de Cristo, da glorificação do nosso corpo e da plena habitação de Deus em nosso meio!

“E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.

E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” Apocalipse 21:3,4

Observem o tempo e as estações!!!

A segunda volta de Cristo

Em tempos de crise e grandes perseguições, nós cristãos cremos na segunda vinda de Cristo sendo mencionada mais de 300 vezes no Novo Testamento. O apóstolo Paulo fala sobre este evento cerca de 50 vezes. Outros falam que a segunda vinda aponta para oito vezes mais do que a primeira.

Como será a segunda vinda de Cristo?

A segunda vinda será de forma pessoal:

“E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” (João 14:3)

“E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” (Atos 1:10,11)

“Eis que venho em breve! Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”. (Apocalipse 22:7)

Ele virá literalmente:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” 1 Tessalonicenses 4:16,17

“Eis que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti.

Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade.

E o Senhor sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha.

E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul.

E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o Senhor meu Deus, e todos os santos contigo.

E acontecerá naquele dia, que não haverá preciosa luz, nem espessa escuridão.

Mas será um dia conhecido do Senhor; nem dia nem noite será; mas acontecerá que ao cair da tarde haverá luz.

Naquele dia também acontecerá que sairão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e metade delas para o mar ocidental; no verão e no inverno sucederá isto.

E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um será o Senhor, e um será o seu nome.

Toda a terra em redor se tornará em planície, desde Geba até Rimom, ao sul de Jerusalém, e ela será exaltada, e habitada no seu lugar, desde a porta de Benjamim até ao lugar da primeira porta, até à porta da esquina, e desde a torre de Hananeel até aos lagares do rei.

E habitarão nela, e não haverá mais destruição, porque Jerusalém habitará segura.

E esta será a praga com que o Senhor ferirá a todos os povos que guerrearam contra Jerusalém: a sua carne apodrecerá, estando eles em pé, e lhes apodrecerão os olhos nas suas órbitas, e a língua lhes apodrecerá na sua boca.

Naquele dia também acontecerá que haverá da parte do Senhor uma grande perturbação entre eles; porque cada um pegará na mão do seu próximo, e cada um levantará a mão contra o seu próximo.

E também Judá pelejará em Jerusalém, e as riquezas de todos os gentios serão ajuntadas ao redor, ouro e prata e roupas em grande abundância.

Assim será também a praga dos cavalos, dos mulos, dos camelos e dos jumentos e de todos os animais que estiverem naqueles arraiais, como foi esta praga.

E acontecerá que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos.

E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva.

E, se a família dos egípcios não subir, nem vier, não virá sobre ela a chuva; virá sobre eles a praga com que o Senhor ferirá os gentios que não subirem a celebrar a festa dos tabernáculos.

Este será o castigo do pecado dos egípcios e o castigo do pecado de todas as nações que não subirem a celebrar a festa dos tabernáculos.

Naquele dia será gravado sobre as campainhas dos cavalos: SANTIDADE AO SENHOR; e as panelas na casa do SENHOR serão como as bacias diante do altar.

E todas as panelas em Jerusalém e Judá serão consagradas ao Senhor dos Exércitos, e todos os que sacrificarem virão, e delas tomarão, e nelas cozerão. E naquele dia não haverá mais cananeu na casa do Senhor dos Exércitos.” (Zacarias 14:1-21)

A Bíblia revela que na segunda vinda de Cristo, os mortos ressuscitarão nessa ocasião. Com a morte vamos para Cristo, mas com a sua vinda, ele vem nos buscar.

Várias vezes tentaram determinar a data da vinda de Cristo, mas em nenhuma delas o Senhor veio no tempo marcado pelos homens. Ele declarou que o tempo de sua vinda está oculto nos conselhos divinos.

“Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.

Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,

E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.

Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro;

Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra.

Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.” (Mateus 24:36-42)

É bom que seja assim. Quem gostaria de saber com antecedência a hora exata de sua morte? O efeito seria perturbar e tornar as pessoas inúteis para o trabalho em vida. A noite se aproxima quando ninguém pode trabalhar.

“Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.” (João 9:4)

O mesmo raciocínio se aplica ao dia da morte desta era. Esse dia também não nos foi revelado, mas sabemos que será repentino.

“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1 Coríntios 15:52)

O dia virá quando ninguém está esperando:

“Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.” 2 Pedro 3:3,4 (2 Pedro 3:4).

O Senhor avisa seus servos: “Façam esse dinheiro render até a minha volta.” (Lucas 19:13)

“Após a destruição de Jerusalém, os judeus expulsos de sua terra, vagarão por todas as nações, e a terra deles passará a ser subjugadas pelos gentios até o fim dos tempos, quando Deus julgará as nações gentias. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem.” Lucas 21:24

Durante este período, os servos de Cristo levarão sua obra avante, pregando o evangelho à todas as nações (Lucas 19:11-27; Mateus 24:14)

Será um tempo de demora durante o qual a igreja muitas vezes será tentada a duvidar do retorno do seu Senhor:

“Então Jesus contou aos seus discípulos uma parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar.

Ele disse: “Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem se importava com os homens.

E havia naquela cidade uma viúva que se dirigia continuamente a ele, suplicando-lhe: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário’.

“Por algum tempo ele se recusou. Mas finalmente disse a si mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus e nem me importe com os homens,

esta viúva está me aborrecendo; vou fazer-lhe justiça para que ela não venha me importunar’ “.

E o Senhor continuou: “Ouçam o que diz o juiz injusto.

Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar?

Eu lhes digo: ele lhes fará justiça, e depressa” Lucas 18:1-8

…e, enquanto o Noivo demora, alguns se prepararão para isso e outros se tornarão negligentes:

“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco prudentes. Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo. As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas. E tardando o noivo, cochilaram todas, e dormiram. Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí-lhe ao encontro! Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. E as insensatas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.Mas as prudentes responderam: não; pois de certo não chegaria para nós e para vós; ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. Depois vieram também as outras virgens, e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta.” (Mateus 25:1-11)

Mas depois, de forma repentina, o Senhor aparecerá para fazer o ajuntamento de seu povo:

“E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.” Mateus 25:19

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” 2 Coríntios 5:10

Mais tarde, quando o evangelho for sido pregado universalmente, e após o mundo tê-lo rejeitado, quando o povo estiver vivendo completamente ignorante quanto a iminente catástrofe, como ocorreu nos dias de Noé (Mateus 24:37-39) e nos dias de Sodoma (Lucas 17:28,29), o Filho do Homem virá em glória e poder para julgar as nações do mundo e nela reinar. (Mateus 25:31-46)

(texto extraído do Evangelho em 3 minutos)

O Vaso de Alabastro e o Óleo Essencial de Nardo

Por Thais Oliveira

Existem coisas na narração da Bíblia que espero que você reconheça e deseje adotar, e, certamente, coisas simples e profundas que trarão respostas para todas as suas questões. Estamos na semana da mulher. E qual mulher não gosta de usar um bom perfume, exalar cheiros agradáveis e fragrâncias? O perfume tem um significado muito profundo, pois é símbolo de vida que se opõe ao mau cheiro da morte.

Meu desejo hoje é que você se abra para compreender a profundidade do significado dos cheiros da Bíblia. No livro de João, há uma comparação entre o cheiro de morte e o cheiro de vida. Consultando João 11:39 vemos que até o momento em que Lázaro morto cheira mal, no outro versículo João 12:2-3, no banquete ao qual está presente quando ressuscitado, a casa exalou um bom perfume.

O perfume simboliza também o amor e para dar ênfase a este significado, basta analisarmos o vaso de alabastro de Maria irmã de Lázaro e Maria de Betânia, em dois episódios diferentes, numa atitude de fé, coragem e amor, derramaram na cabeça e nos pés de Jesus o óleo essencial de nardo. 

“Foi oferecido um jantar e, como de costume, Marta serviu a mesa, na qual estavam Jesus e Lázaro, entre outros” Lucas 10:40; João 12:2.

“Em determinado momento, durante a ceia, na presença dos discípulos, Maria pegou um arrátel[1] de unguento de nardo puro, de grande valor, e ungiu os pés de Jesus. Em seguida, passou a enxugar os pés de Jesus com os seus cabelos, de modo que a casa ficou perfumada com o cheiro do unguento” João 12:3.

O nardo é um óleo essencial precioso extraído de uma planta da Índia e por ser muito caro, não era difícil que muitos falsificavam. Esse óleo essencial era usado também para fins medicinais. O ritual com o nardo na Bíblia atribuía autoridade a alguém que iria exercer uma função, como a de profeta ou rei, mas a unção com nardo também era feita em alguém que necessitasse de cura.

No segundo episódio com Maria de Betânia, o evangelista Marcos deixa bem específico que o perfume é de nardo. 

“Estando Jesus em Betânia, reclinado à mesa na casa de um homem conhecido como Simão, o leproso, aproximou-se dele certa mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro, feito de nardo puro. Ela quebrou o frasco e derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus.
Alguns dos presentes começaram a dizer uns aos outros, indignados: “Por que este desperdício de perfume?” Marcos 14:3,4

Para especificar que o nardo derramado em Jesus por Maria de Betânia é puro, o evangelista emprega o termo autêntico e fiel.

“Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela.” Marcos 14:5

O valor do perfume correspondia a 300 dias do valor do salário de um operário. O fato de ser muito caro, a expressão do amor autêntico se refere ao livro de Cantares. 

Quantos dias do ano você tem exalado sua melhor essência de vida para Deus?

“Se alguém desse toda a posse de sua casa pelo amor, certamente seria desprezado” Cantares 8:7

Enquanto Judas pensava em tirar proveito ao trair o amor de Jesus, Maria de Betânia demonstra a Jesus um amor sem preço, porque o amor verdadeiro em 1 Coríntios 13:5 não se guia pelo dinheiro, não busca os próprios interesses. 

Podemos comparar o vaso de alabastro aos nossos corações, pois dentro de cada coração estão os perfumes mais caros e óleos de uma essência de alto valor e até muito rara. É o mergulho de entusiasmo dos seus sonhos, desejos, perfumes de uma essência humana protegida por um vaso de alabastro na espera de honrar o “noivo”.

Mas aos pés de que noivo você tem quebrado este vaso? Será que de fato isso realiza as expectativas dos desejos do seu coração? É muito comum, que muitos de nós em algum momento da vida deixemos que a ansiedade e a prioridade de outras coisas façam parte de nossas vidas sem pretensão ao Noivo dos “noivos”, até que passamos a perceber que aquilo que tanto ansiávamos não tem o cheiro da fragrância do nosso mais caro perfume, mas ficamos anos a espera desse noivo e deixamos de adorar ao Noivo dos noivos, até entrarmos em um desespero imenso quando não realizamos nossos desejos, não sentimos então o aroma de nossos próprios perfumes ao serem derramados, acabamos encontrando o cheiro do ressentimento do tempo sem muita beleza interior.

O amor, para ser verdadeiro, precisa ser um dom e no gesto de quebrar o vaso, estas mulheres  expressam a oferta da suas vidas da mesma maneira que fará Jesus.

Esse é um exemplo que deveríamos seguir. Derramar o perfume de nossas almas aos pés de Cristo, o perfume pode significar a mais profunda e delicada essência da alma, pois o tempo perdido ao se esperar que as coisas aconteçam só tem a ser lucro quando honramos nossas vidas a Deus.

Não existe maior recompensa do que o perdão de Jesus e sua honra sobre nossas cabeças.

As lágrimas de Maria de Betânia em Lucas 7:36-50 lavaram os pés do Senhor e enxugando com os próprios cabelos, embora nada tenha dado maior honra do que a quebra do vaso de alabastro com o óleo essencial de nardo, do mais caro e mais precioso. As duas mulheres deram a Jesus o que era mais difícil de se conseguir. Assim com fé, amor e coragem, que possamos derramar o perfume de nossa adoração, enchendo o átrio do Senhor!